quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Fernão de Magalhães



Chegar ao fim 
Era o princípio, 
Por tal morreu 
Ante novo ciclo… 

Cumpriu-se o sonho, 
Cumpriu-se a prova; 
Redonda sempre seria 
A sua nova. 

De Magalhães 
Fernão era 
Redondo círculo… 
O seu fim, 
Nunca seria 
O seu princípio… 

Fernão, incorporara no mar, 
Um país de sonhos feito, 
Para apenas um Estreito 
O relembrar.

Autor: Jónatas

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Solstício de Inverno



É sabido que as primeiras civilizações estratificadas, da Idade dos Metais, surgiram na Ásia Menor (sumérios, milénio VI a.C.) e no norte de África (egípcios, milénio V a.C.). A Suméria ocupava o sul da Mesopotâmia - "terra entre rios"- entre os rios Tigre e Eufrates, junto ao Golfo Pérsico. Hoje, já se sabe que a escrita foi invenção dos sumérios (cuneiforme), além disso, os antigos sumérios criaram quase tudo: administração e justiça; formas políticas de governo; instrumentos de troca e de produção; formas de pensamento religioso; técnicas de construção.

A religião foi, na realidade, a base e o centro da vida da Mesopotâmia, sendo, toda ela, originária da concepção religiosa da Suméria, que remonta à era neolítica e que influenciou todos os povos antigos, cuja religião era baseada em divindades cósmicas, principalmente no deus Sol. Assim, na religião suméria, os três deuses fundamentais: Anu, rei do Céu, Enlil, rei da Terra, e Ea, deus do Oceano; esses deuses primordiais criaram os deuses astrais, que se ocupam directamente do homem: Chamach, deus-Sol, Sin (deus-Lua, masculino) Ishtar, a deusa Vénus (relativa ao planeta) e Dumuzi, deus agrário das mortes e ressurreições anuais dos vegetais, de acordo com o ciclo do Sol. Foi dos sumérios, o primeiro culto solar da Humanidade na História, embora já possa ter havido algum, na era neolítica da Pré-História. Como grandes matemáticos, adquiriram grande conhecimento sobre a astronomia, prevendo eclipses solares e lunares, aprendendo a plantar de acordo com as fases da Lua, dividindo o ano em 12 meses lunares, os meses em semanas, a semana em sete dias (cada um consagrado a um dos sete "planetas" da Antiguidade), o dia em vinte e quatro horas, a hora em sessenta minutos e o minuto em sessenta segundos. Quando elaboraram o seu sistema cosmológico, fizeram uso das doze constelações principais, através das quais o Sol e a Lua passavam, regularmente, e que foram as precursoras do zodíaco.

No Antigo Egipto, embora, houvesse variados conceitos do deus-Sol, tendo, o astro diversas representações (Ámon, Rá, Hórus), era um certo desvio para o monoteísmo, o deus do império unificado e o senhor do céu e dos deuses. Havia somente um deus egípcio cuja importância era semelhante à do deus-Sol: Osíris, deus da fertilidade e do reino dos mortos, cuja lenda, baseada nos mitos solares - segundo a lenda, foi morto no 17º dia do mês Hator, quando começava o Inverno - tinha grande aceitação entre o povo, preocupado com o além, pois mostrava os mistérios da morte e da ressurreição. Já no terceiro milénio a.C., os egípcios elaboraram um calendário solar, que era o mais perfeito da Antiguidade, permitindo-lhes, inclusive, prever as cheias do rio Nilo. O rio era a fonte de toda a vida e os egípcios acreditavam que as cheias eram activadas pela acção combinada do Sol e de Sirius, tendo esta estrela, assumido grande importância. As pirâmides, construídas durante a III Dinastia do Antigo Egipto, tinham dupla finalidade: monumentos funerários e calculadores astrológicos. Ao faraó Ramsés II, um dos maiores do Novo Egipto, é atribuída a responsabilidade pelo estabelecimento dos quatro signos cardeais do Zodíaco: Carneiro, Balança, Caranguejo e Capricórnio.

À Europa, a civilização chegou depois. Basta dizer que, na época do surgimento dos monumentos megalíticos, ou seja, dois milénios a.C., a região era primitiva, sendo habitada por um povo - chamado, pelos arqueólogos, de povo beaker - que ainda estava no início da Idade dos Metais e que ainda não tinha meios de registar o seu conhecimento. Nessa época, o Egipto já iniciava o seu Médio Império e, na Grécia arcaica, já começara a civilização micénica. E seria exactamente na Grécia que a astronomia e a astrologia teriam grande impulso, deixando o empirismo anterior.

Ao povo beaker, muito anterior aos druidas, atribuem-se os menires (monumentos megalíticos) europeus e, principalmente, o famoso conjunto de Stonehenge. Mesmo primitivo, desenvolveram um sofisticado método de calcular um calendário de precisão surpreendente, anunciando eclipses e assinalando solstícios, dos quais os menires são provas irrefutáveis. As imensas pedras de Stonehenge, com cinco toneladas cada uma, foram extraídas dos montes de Gales, e transportadas até á planície de Salisbury, a 380 quilómetros de distância. Constituído de diversos blocos, formando semicírculos e fechado por um anel de pedras, com distâncias regulares entre elas, o monumento foi submetido, a análises computorizadas, que revelaram uma grande variação de alinhamentos, mostrando que ele é, na realidade, um grande computador astrológico.

No entanto, 2000 anos antes de Stonehenge foi erigido o recinto megalítico dos Almendres, Évora, Alentejo, sendo o maior monumento megalítico da Península Ibérica e um dos mais antigos monumentos da Humanidade.
Foi construído há cerca de 7000 anos, nos alvores do Neolítico, a época em que surgiram, na Europa ocidental, as primeiras comunidades de pastores e agricultores, no contexto de profundas transformações culturais.

O recinto dos Almendres cuja planta original era, muito provavelmente, em forma de ferradura, aberta a nascente, parece ter sofrido acrescentos e remodelações: a forma actual do monumento, relativamente complexa, resulta, por um lado, dessas intervenções antigas e, por outro, de amputações e perturbações muito recentes. Actualmente, conta com cerca de uma centena de monólitos, alguns deles decorados.
A escolha dos lugares em que estes monumentos foram erigidos, teve seguramente em conta a estrutura física da paisagem, nomeadamente a rede hidrográfica, mas também os fenómenos astronómicos mais notórios, relacionados com os movimentos anuais do Sol e da Lua, no horizonte.

Os celtas vieram depois do povo beaker. Os druidas eram membros de um culto sacerdotal entre os antigos celtas, na Inglaterra, França e Irlanda, cujos sacerdotes adoravam vários deuses semelhantes aos do panteão greco-romano, mas com nome diferentes, reunindo-se nas florestas, ou em cavernas. Na verdade, pouco se conhece sobre os rituais dos druidas, o que tem gerado muita especulação, sem nenhuma comprovação. Eles consideravam o meio-dia e a meia-noite como horas sagradas, o que não era novidade, assim como algumas árvores, como o carvalho. E, geralmente faziam predições através da interpretação do vôo dos pássaros e de sinais encontrados nas vísceras de animais sacrificados; e podem ter usado Stonehenge como lugar de culto. Foram destruídos, na Inglaterra no ano 78 da era actual pelos romanos. Na Irlanda sobreviveram até ao século V, quando foram expulsos com a expansão do cristianismo.
Importa considerar que os rituais solares, inclusive os solstícios, eram muito mais antigos do que os druidas. Considerando que pouco se conhece sobre os rituais druidas, que eram secretos e transmitidos oralmente, a interpretação de seu pensamento fica no terreno especulativo, ou da imaginação de muitos autores.

Este simbolismo cósmico tradicional foi herdado dos povos mesopotâmicos, cujos saberes acumulados parecem ter atingido o expoente máximo na antiguidade. Tradição mais tarde veiculada pelos egípcios, que por sua vez a transmitiram aos gregos. Dizia Platão no seu Timeu: ”O dia e a noite, ao desvendarem os meses, as revoluções dos anos, os equinócios e os solstícios, formaram pela sua combinação o número, e deram-nos a noção do tempo e o meio para especular sobre a natureza do universo. Daí, nós retirámos um tipo de filosofia que é o maior bem que nos chegou e que jamais virá a nós pela liberalidade dos deuses”. Segundo Platão, o Conhecimento não se adquire por outro meio que não seja pela Iniciação. A busca do Conhecimento é caminho árduo e não uma benesse dos deuses.

Aproxima-se mais um Solstício de Inverno, em que viveremos a noite mais longa do ano, no nosso hemisfério, como que num recolhimento uterino desejado.

O Sol afastou-se do hemisfério norte. O Inverno é a época para semear.
Os frutos da colheita anterior já se encontram recolhidos.
É o momento para seleccionar os melhores frutos, obter as suas sementes e voltar a semear, porque há frutos que se estragaram, apodreceram ou não se desenvolveram. Há que eliminar estes e guardar os melhores.

Há mais frio e mais escassez de tudo.
Os membros da tribo reúnem-se à volta da fogueira onde há luz e calor. O fogo é a representação do Sol que se ausentou.
Juntos apoiam-se e compartilham do que têm. O momento transforma-se então, em celebração e cerimónia.
É a noite da solidariedade, do amor e da esperança!

Que este Solstício nos traga de volta à comunhão com as coisas do Universo e com o Universo das coisas da Natureza…

Que as luzes dos centros comerciais e outros holofotes não sejam demasiado ofuscantes e nos permitam, ainda, uma certa dose de humanidade e de reconciliação dos afectos…
Que a esperança se faça verbo, imagem e certeza….

Estamos convosco, desejando-Vos um Solstício de Luz e saudando o RENASCIMENTO de todos Nós.

A. Pires

sábado, 17 de dezembro de 2011

Cesária Évora 1941 - 2011


Cesária Évora nasceu na cidade de Mindelo, em Cabo Verde. Tinha mais quatro irmãos. O seu pai Justino da Cruz tocava cavaquinho, violão e violino. Quando jovem foi viver com sua avó, que havia sido educada por freiras, e assim acabou passando por uma experiência que a ensinou a desprezar a moralidade excessivamente severa.

Entre os seus amigos estava B. Leza, o compositor favorito dos cabo-verdianos, que faleceu quando ela tinha apenas sete anos de idade. Desde cedo, Cise, como era conhecida pelos amigos, começou a cantar e a fazer actuações aos domingos na praça principal da sua cidade, acompanhada pelo seu irmão Lela, no saxofone. Mas a sua vida está intrinsecamente ligada ao bairro do Lombo, nas imediações do quartel do exércio português, onde cantou com compositores como Gregório Gonçalves. Aos 16 anos, Cesária começou a cantar em bares e hotéis e, com a ajuda de alguns músicos locais, ganhou maior notoriedade em Cabo Verde, sendo proclamada a "Rainha da Morna" pelos seus fãs.

Aos vinte anos foi convidada a trabalhar como cantora para o Congelo - companhia de pesca criada por capital local e português -, recebendo conforme as actuações que fazia. Em 1975, ano em que Cabo Verde adquiriu a independência, Cesária, frustrada por questões pessoais e financeiras, aliados à dificuldade económica e política do jovem país, deixou de cantar para sustentar sua família. Durante este período, que se prolongou por dez anos, Cesária teve de lutar contra o alcoolismo. Igualmente, Cesária chamou a esse período de tempo, os seus Dark Years.

Cabo Verde, um francês chamado José da Silva persuadiu-a a ir para Paris e lá acabou por gravar um novo álbum em 1988 "La diva aux pied nus" (a diva dos pés descalços) - que é como se apresenta nos palcos. Este álbum foi aclamado pela crítica, levando-a a iniciar a gravação do álbum "Miss Perfumado" em 1992. Desde então fixou residência na capital francesa. Cesária tornou-se uma estrela internacional aos 47 anos de idade.
Em 2004 conquistou um prémio Grammy de melhor álbum de word music contemporânea. O Esatdo francês, distinguiu-a em 2009, com a medalha da Legião de Honra entregue pela ministra da Cultura francesa Christine Albanel.

Em Setembro de 2011, depois de cancelar um conjunto de concertos por se encontrar muito debilitada, a sua editora, Lusafrica, anunciou que a cantora pôs um ponto final na sua longa carreira. Faleceu no dia 17 de Dezembro de 2011.


domingo, 4 de dezembro de 2011

Fausto – Novo Álbum


Em Novembro, Fausto Bordalo Dias editou o último capítulo da trilogia da sua obra discográfica. Apresentado em formato disco-duplo, o novo álbum de Fausto encerra de forma mágica um trabalho único iniciado na década de 80.

Fausto Bordalo Dias conclui a trilogia que começou com a edição do disco «Por Este Rio Acima», em1982, e prosseguiu com «Crónicas da Terra Ardente», em 1994. Se os primeiros trabalhos abordavam a saída dos portugueses em direcção a África e à Índia, e a sua viagem marítima até lá, o novo trabalho descreve a entrada em terra firme através do continente africano.

A conclusão do tríptico reforça a importância máxima da criação de Fausto. Não só num formato de retrospectiva da história de Portugal, mas incidindo muito profundamente no tempo presente e nas relações mantidas entre Portugal e o continente africano, num momento de reflexão sociológico, musical e político que sempre fez parte do código de composição de Fausto Bordalo Dias.

Em termos musicais o disco eleva o patamar para uma nova descoberta de abordagens à música tradicional portuguesa, num trabalho intenso que Fausto tem mantido ao longo da sua carreira.

Sendo um disco há muito tempo aguardado, as expectativas são enormes em torno deste regresso de um artista considerado por muitos como um dos patrimónios indispensáveis da história da música portuguesa.