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 - 4 de Março de 2012  -
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Rostos que fazem história

Carmen Lara pinta com sentimento:
“Pinto arte maçónica, sim.
Como em tudo o que pinto
e crio, é somente
a necessidade de dar forma
e cor ao que sinto
profundamente.


Texto e fotografias: Joaquim Santos 





O NOTÍCIAS DE COLMEIAS foi encontrar em Lisboa a pintora Carmen Lara. Nascida no Bombarral a 23 de Março de 1971, cria obras únicas que rebusca nas suas ideias, no imaginário mais profundo da vida. A sua permanente intuição é transportada para as cores das suas telas. Os temas das suas exposições são diversificados, embora a temática maçónica seja predominante. Mas, o Parque das Nações, África, símbolos e formas, Fernando Pessoa, arte erótica ou a Casa do Eléctrico de Sintra, são outras das temáticas que a artista plástico já explorou nas suas muitas exposições individuais ou colectivas.
Carmen Lara é uma apaixonada por tantos quadrantes da existência. Os seus traços transportam-nos para uma sedução absoluta dos sonhos, onde a alma é cúmplice com o terreno, numa admiração profunda pelos seus trabalhos. A ousadia dos seus temas e a sua liberdade de expressar o que sente, é característica ímpar nas suas telas.

A sua infância foi vivida num período pré e pós revolução de Abril de 1974. Recorda esses tempos vividos no Cadaval?
A minha mãe estava no Cadaval, em casa dos meus avós maternos, quando decidi nascer. A minha infância foi vivida em Santo António dos Cavaleiros, partindo com 11 anos para Faro, onde permaneci até aos 20.
Recordo-me da “rebaldaria” nos primeiros anos seguintes à revolução do dia 25 de Abril de 1974, como guardo na memória o dia da revolução, apesar de ter apenas 3 anos. Recordo o meu pai chegar a casa duas horas após ter saído para o emprego e de nos fecharmos todos em casa, em silêncio, a ouvir o relato dos acontecimentos pela rádio. Recordo-me ainda de, nesse mesmo dia, mais tarde, termos saído para a rua num grande movimento de alegria.

Como é que uma menina com ligações à ruralidade vem parar a Sintra, uma vila classificada como património mundial da UNESCO?
Por o acaso do destino, como tudo tem sido na minha vida, nada programado.

Quando é que deu os primeiros passos para a pintura?
Desde criança. Mas comecei a pintar em tela, a mostrar e a divulgar o meu trabalho em Agosto de 2008.

As emoções e intuição são justificativas para a criação das suas telas. Que temas gosta mais de retratar nas suas pinturas?
Exprimo através da tela a emoção de como vivo, como sinto, o que o meu espírito interioriza. Pinto a forma como imagino que seja. Gosto de criar e não de reproduzir. Dou o tema de arte universal a tudo o que me apetece pintar – tenho uma paixão por África e todas as minhas obras transpiram um pouco dessa paixão.

A Maçonaria é um tema da actualidade, com políticos e políticas que são acusados de planeamentos ajustados em determinadas lojas, fora do contexto da Assembleia da República. O que atrai a Carmen Lara na arte maçónica que produziu?
Ao fazer uma breve pesquisa sobre a história da maçonaria, surpreendi-me ao deparar-me com uma fi losofia tão nobre edificante como esta, na construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais perfeita, como é o trabalho incessante de todos os maçons de todo o mundo. O que me fascinou, até então, antes de estudar e de pesquisar um pouco sobre esta escola de valores, que trabalha o aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual dos seus membros (obreiros), encontrava-me num verdadeiro estado de ignorância e só sabia o que ouvia a comunicação social relatar – episódios invulgares, em que alguém é acusado e praticou abusos de poder ou atitudes ilícitas e que se descobre que esse alguém é maçom.
Um homem não retrata a maçonaria, a história é que a retrata.
Pinto arte maçónica, sim. Como em tudo o que pinto e crio, é somente a necessidade de dar forma e cor ao que sinto profundamente.

No seu entender, determinados mitos ou acusações atribuídos à Maçonaria são pura falsidade?
No meu singelo entendimento, os mitos serão uma falsidade. Quanto às acusações, não entendo que seja a Maçonaria, mas a má conduta de alguns membros, que certamente são afastados quando há conhecimento desses mesmos actos.
Acredito que há pessoas de bem e de mal em todos os espaços, sejam eles filosóficos, religiosos, políticos ou familiares.
A propósito, deixe-me contar aqui uma descrição de uma das minhas obras que consta do meu livro: a Flauta Mágica.
É obra musical do maçom Mozart e tem dois aspectos marcantes: um, quase infantil, que raramente chega às crianças, e a música, que há duzentos anos fascina os adultos. A obra parece ter sido escrita em 1731, relacionada com os mistériosEgípcios. Relata a história de um príncipe (Tamino) e de um caçador de pássaros (Papagueno). Atendendo ao apelo de uma rainha (a Rainha da Noite), tentam resgatar a princesa (Pamina), sequestrada num castelo. Nesta ópera, Mozart descreve a senda do candidato, que procura a Luz, “pobre, nu e cego”. Demonstra os passos do caminho, as suas provas, nas quais se prepara o espírito para se tornar digno de entrar no templo (interior), naquele templo verdadeiro que é feito sem ruído de pedra nem de martelo, em que a luz do conhecimento permanece eternamente.

O actual governo extinguiu o Ministério da Cultura. Como artista plástica, não sente que a produção cultural foi fortemente penalizada?
Sempre foi, mas agora está pior. Esta é uma questão cultural do nosso país, em que a cultura é sempre um tema terciário.

No seu percurso artístico, desde 2008, soma diversas exposições colectivas e individuais. Quais as que mais destacaria e porquê?
A minha primeira exposição individual de Arte Maçónica, por ter sido a primeira artista plástica profana a realizar uma mostra sobre esta temática, franqueada ao público. Ali contei com a presença de muitos membros de várias obediências maçónicas, entre as quais as duas principais – o Grande Oriente Lusitano e a Grande Loja Legal de Portugal.
Outra foi a segunda colectiva de Arte Universal, em que organizei toda a estrutura da exposição e em que contei com o apoio institucional de várias embaixadas, que trouxeram artistas dos quatro cantos do mundo. O objectivo foi o de promover a interculturalidade dos diversos países. Todos se uniram e apoiaram nesta iniciativa. Indiferentes às divergências culturais, políticas e sociais, um ponto retiveram em comum: a arte é uma linguagem universal.


Quais as condições que tem de ter para a criação das suas obras?
Estar no meu espaço.

O que sente ao estar representada na Paula Cabral Art Gallery no Príncipe Real, em Lisboa?
Sinto reconhecimento pelo meu trabalho.

Por falar em edição de papel, a 13 de Dezembro de 2011, estreia-se no campo da escrita, ao lançar o livro “Arte Maçónica numa Visão Profana de Carmen Lara, com o prefácio de António Arnaut. O que a motivou para criar esta obra?
Publiquei um livro no passado dia 13 de Dezembro, cujo lançamento oficial foi acolhido pelo Grémio Lusitano, em Lisboa. Com este livro pretendo construir uma ponte entre o Mundo Profano e o Mundo Maçónico. Retratando a Arte Real de forma pictórica e poética, cada imagem e cada obra publicadas são acompanhadas pela minha interpretação pessoal numa visão profana, reflectindo os alicerces, os valores e a conduta moral, humana e social nos quais a Maçonaria está sustentada e pelos quais um Maçom pauta a sua filosofi a e a sua conduta. De uma forma suave e subtil, poderá ser considerada uma verdadeira ponte de passagem do mundo profano para o verdadeiro Conhecimento, suscitando o interesse para a pesquisa e para o conhecimento, assim contribuindo para a desmistifi cação de alguns conceitos errados no mundo profano, consequentes de um estado de desconhecimento.
Esta obra é universal, tal como a Maçonaria é universal, com os objectivos principais de desenvolver os princípios da fraternidade e da filantropia.

Teve o apoio da Maçonaria?
Total apoio. A minha obra foi acolhida com encorajamento e amor.

No seu entender, o País está a dar os passos certos para a resolução da crise profunda em que está mergulhado?
Não possuo conhecimentos suficientes em economia para apresentar soluções rápidas e eficazes. De qualquer forma, na minha singela opinião, não!

Quais os projectos que a artista Carmen Lara quer destacar para o futuro?
Ainda estou a estruturar o primeiro trimestre de 2012, mas posso anunciar a inauguração de uma exposição individual, no dia 23 de Março, às 19 horas, no Museu da República e da Resistência, em Lisboa. O título é “Carmen-Lara e Fado Património Mundial da Humanidade”, em parceria com a VITRIOL – Associação da Língua e Cultura Lusófona.
Esta associação faz com que iniciemos uma Viagem mais profunda dentro de nós, enquanto ser individual e colectivo, na senda de um Homem Novo. Foi constituída a partir de um sonho: criar uma plataforma para o estudo e divulgação da língua e do património, para proporcionar a todos os cidadãos o acesso à cultura portuguesa e ao mundo da lusofonia, sendo partilhada por um universo de pessoas que comunga dos mesmos princípios, no que respeita à valoração do conhecimento como factor de libertação do Homem.
Por outro lado, pretendo organizar a 2ª Colectiva de Arte Universal, no segundo ou no terceiro trimestre, a pedido das embaixadas que participaram na 1ª Colectiva.
Para esta, necessitarei de um espaço maior, que terei de procurar, uma vez que a ideia é aumentar o número de embaixadas participantes – ou seja, de aumentar o número de artistas oriundos de diversos países dos quatro continentes.

A arte é valorizada e entendida pela esmagadora maioria da população ou continua a ser apenas de determinadas elites?
Infelizmente, a esmagadora maioria ainda continua a ser apenas de determinadas elites. Não por culpa dos artistas, mas da falta de cultura reinante em Portugal.

Se tivesse à frente do extinto Ministério da Cultura que medidas tomaria para inverter este ciclo de desinvestimento do governo?
Bastava tão-somente transferir para o Ministério da Cultura a verba que se gasta nas rubricas de transportes, águas e flores destinadas a saciar e a “aromatizar” a Assembleia da República.


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