quinta-feira, 30 de maio de 2013

A Romanização de Olisipo


Onde actualmente existe a construção na zona compreendida entre Belém e Alfama, em tempos passados, na época romana, existia um vasto e imenso estuário do rio, com grande e variadíssima fauna marinha, diversidade peixe, locais ideais para implantar e construir edifícios apropriado para esta importante actividade para o Império Romano, pois, além de serem produzidos para consumo de toda a Roma, também eram produzidos para serem enviados para zonas longínquas do Império que estavam a colonizar. Razões mais que suficientes, para se desenvolver uma indústria conserveira bastante grande e criar e construir portos.

Para ver, sentir os vestígios romanos na capital, podemos iniciar o nosso roteiro pela zona de Alfama. 
Na Casa dos Bicos – podemos ver e visitar os vestígios de uma fábrica de preparados de peixe, cetarias romanas, e partes de uma muralha tardia.

No Núcleo Arqueológico Rua dos Correeiros/BCP – Entre 1991 e 1995, no decorrer das obras de remodelação aí efectuadas, a perfuração do pavimento pôs a descoberto estruturas arqueológicas de civilizações que, ao longo dos tempos, habitaram Lisboa. 
Pelas suas características únicas - aí se podem percorrer 2.500 anos da História de Lisboa - este espaço é também património da Cidade e mesmo do País, entendendo-se que, como tal, deve ser acessível ao público em geral. 
No esteiro do Tejo, área muito sensível a movimentos tectónicos, como assoreamento, aparecem novas formas de ocupação. A partir do século I d.C. instala-se um importante núcleo de preparados piscícolas, que terá laborado até finais do século IV d.C.. As fábricas eram constituídas por tanques - cetárias - de dimensões diversas, poços e edifícios de apoio às unidades fabris. A área onde se insere o Núcleo destinar-se-ia sobretudo à reparação de conservas de peixe salgado, o que se depreende da dimensão e da presença de ânforas normalmente usadas no transporte do produto. Em plano mais específico, há fortes indícios que levam a concluir, também, da produção de molhos – o garum. Outra estrutura que podemos observar trata-se do primeiro mosaico polícromo "in situ" datado do século III d.C. e um complexo de três piscinas.

A caminho da colina, encontramos as lápides das Pedras Negras – Aquando da construção de um prédio pombalino na Travessa do Almada, conhecido justamente como "prédio do Almada", foram descobertas quatro lápides contendo inscrições latinas, duas das quais dedicadas aos deuses romanos Mercúrio e Cíbele. As lápides foram mantidas no local, integradas na fachada lateral do edifício, onde se encontram actualmente. A designação comum das lápides provém da rua com a qual o prédio faz gaveto, a Rua das Pedras Negras. As inscrições romanas reflectem a religião e administração de Olisipo.

Seguindo o nosso roteiro, encontramos a Sé Catedral de Lisboa, construída por várias civilizações e designados períodos: Medieval Islâmico; Medieval Cristão; Moderno; Contemporâneo; Romano; Alta Idade Média e Idade do Ferro. 
No caso vertente, falemos dos Claustros da Sé de Lisboa - Saindo da sacristia, existem os claustros, um espaço impressionante, onde numa escavação arqueológica, iniciada em 1990, expôs uma série de estruturas que os arqueólogos enquadraram como datadas entre os séc. VI a.C. e o séc. XIV. Os vestígios mais antigos são compatíveis com as cerâmicas fenícias importadas do Mediterrâneo. 
Por outro lado, a ocupação romana do séc. I está demonstrada pela construção de uma calçada com esgoto, para onde convergiam as canalizações das lojas que ladeavam e animavam essa via de acesso. Há ainda vestígios da ocupação romana, que incluem cerâmicas e restos de alimentos, principalmente ossos e escamas. Uma estrada romana de acesso entre a zona ribeirinha e o teatro romano. Tem ainda pedras romanas nas paredes da Sé.

Seguindo a imaginária estrada romana, vamos dar ao Museu Teatro Romano de Olisipo. O Teatro foi descoberto em 1798, na fase de reconstrução da cidade após o terramoto de 1755. Tradicionalmente deve-se ao Arq.º Francisco Xavier Fabri a sua descoberta. Apesar dos seus esforços, novos edifícios foram construídos sobre as ruínas, tendo progressivamente sido esquecida a memória de ali ter existido um teatro romano. 
As primeiras campanhas de escavação arqueológica iniciaram-se em 1964, com D. Fernando de Almeida e foram continuadas, entre 1965 e 1967, pela investigadora Irisalva Moita, então conservadora dos museus municipais. Para o efeito, foram demolidos vários dos edifícios que se sobrepunham ao monumento. 
Os trabalhos coincidiram com a parte principal do espaço cénico: a orchaestra, o hyposcaenium e primeiros degraus da cavea. Na ocasião foram recuperados inúmeros elementos arquitectónicos, alguns dos quais hoje em exposição no Museu do Teatro Romano. Inaugurado em 2001, pretende mostrar o que foi o Teatro da antiga cidade de Olisipo. Instalado num edifício seiscentista, remodelado ao longo dos séculos, o Museu do Teatro Romano engloba múltiplas áreas onde se expõem testemunhos arqueológicos. Estes vestígios remetem-nos não apenas para a época do Teatro (séc. I), mas também para outros vestígios que testemunham uma intensa ocupação humana deste local.

Ainda, com vigor para o resto do roteiro, subimos ao alto da colina do Castelo S. Jorge, onde recentemente foi instalado o seu Núcleo Museológico
Tem uma colecção visitável constituída por um acervo de objectos encontrados na área arqueológica, proporcionando a descoberta das múltiplas culturas e vivências que desde o século VII a.C ao século XVIII foram contribuindo para a construção da Lisboa da actualidade. Evidência a primeira presença romana na cidade, a instalação militar a época de Júnio Bruto. 

Autor: A. Pires 

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