quinta-feira, 14 de junho de 2012

O Homem e a Pedra

Do Monte da Lua ao Cabo da Roca


A ligação do homem com a pedra é tão antiga como a sua própria existência, foi no âmbito do sagrado que o homem teve o seu primeiro contacto com a pedra, pois a mesma deu-lhe acima de tudo e antes de tudo, a possibilidade de se ligar ao divino e também de perpetuar na história da humanidade, de "deixar escrito na pedra" os seus sonhos e medos, as suas vivências divinas e infernais, os seus actos de coragem, as suas conquistas e derrotas. 
Nascidas das profundezas da terra numa conjunção dos elementos primordiais, terra, ar, água e fogo, são a perfeita harmonia entre as leis terrenas e cósmicas. Símbolo da eternidade, que pela sua natureza ultrapassa, transcende, vai além do tempo humano. 
As pedras são assim verdadeiros lugares de memória, pontes talhadas entre o céu e a terra, e que se nos libertarmos dos atilhos racionalizantes, esses lugares quase que nos transportam do profano para o sagrado no mais íntimo de nós. 
Os aglomerados naturais de pedras, outros construídos pela mão do homem, determinaram o seu uso como locais de culto ao sol e à lua e a outras divindades tão antigas das quais nem sabemos o nome, como mencionou Estrabão, historiador, geógrafo e filosofo grego, que estes povos "ofereciam sacrifícios a um deus sem nome e dançavam toda a noite nas fases da lua cheia".

A Serra de Sintra pela sua forma de "ventre materno" e simultaneamente serpentino, deu lugar ao culto da deusa pré-histórica lunar, ligada ao ciclos da fecundidade, assim como a cultos ofiliátricos de morte e renascimento, não é ao acaso que este promontório fosse designado por Evieno de Cabo de Ofiúsa. 
Do Monte da Lua (Sintra) ao Cabo da Roca, desde os tempos pré-históricos à dominação romana existem vestígios de cultos astrolátricos, Sol e Lua, assim como também a divindades saturnianas mais específicamente no Cabo da Roca. A sua importância geográfica não deixou de suscitar interesse pelos marinheiros fenícios que por ali passaram, e que assim (re)sacralizaram aquele local, havendo largas hipóteses de ali terem erigido um templo a Ishtar-Astarte complemento feminino de Baal/Saturno, protectora dos marinheiros e viajantes, venerada em templos situados em montes e falésias, e o deus Baal, título que significa "Senhor", e que simbolizava o princípio masculino da luz, do fogo, da fertilidade e da renovação, muitas vezes representado por um touro que lhe era sacrificado, o que não deixa de ser interessante. Ainda não inteiramente comprovado arqueologicamente, embora haja fortes indícios que está relacionado com o Cronos/Saturno, por certo nas imediações do Santuário da Peninha tenha existido outrora um local de culto a Baal/Saturno, e que cuja memória se encontra reduzida a uma humilde e abandonada Ermida – Ermida de S. Saturnino. 
Tais santuários parecem emergir da terra como olhares apontados ao infinito, perfeitos centros de ligação da terra ao cosmos.

Fazer estes caminhos é ir ao encontro dos momentos primordiais que o homem teve com o divino como centro das suas vidas e vivências. O ceú na sua transcendência e eternidade, o Sol que se erguia no horizonte simbolizando a soberania, a luz e a vida, marcando o tempo com os Equinócios e Solstícios. A luz que se extinguia para dar lugar á noite, onde surgia a Lua como possibilidade de renascimento mediante as suas fases, a vegetação circundante, fecunda e abundante. Tudo isto lhes revelava o mistério da Vida e da Criação. 
Nesses locais estão os "caminhos" idealizados de outrora que á distância da nossa mão e através do olhar podemos sentir e perceber os mitos, ritos e lendas onde as pedras intervêm. 
O homem evoluiu e a forma de trabalhar a pedra também. Mas, o homem não deixou de ser homem, nem a pedra deixou de ser pedra. A busca do sagrado continua, mesmo que implícita, a busca de ontem é talvez a mesma de hoje. De onde viemos e para onde vamos, pois não existe presente sem passado, nem futuro se não soubermos as duas coisas. Por isso, todo o homem procura o seu lugar. A sua Pedra.

Autor: O. Florência 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Mosteiro dos Jerónimos


Do local onde actualmente se encontra o Mosteiro dos Jerónimos, como vulgarmente é conhecido, partiram as primeiras naus para os empreendimentos marítimos, nomeadamente para a Índia e Brasil. A praia do Restelo abria-se em pequena enseada, constituindo um bom local de abrigo de barcos. Neste porto, a actividade era extensa, uma vez que era um local de artesanato e comércio, constantemente visitado por mareantes. A população que ali morava não dispunha de cemitério, e faltava aos fiéis um lugar de culto. Foi neste local que o Infante D. Henrique mandou erguer uma igreja e um pequeno cenobício da Ordem de Cristo, para prestarem então assistência espiritual aos mareantes e à população ai fixada.
D. Manuel I, imediatamente depois de ser coroado em 1495, ordenou a edificação de um mosteiro neste mesmo lugar, 46 anos após a morte do Infante D. Henrique. Os cavaleiros da Ordem de Cristo cederam então a igreja, casas e terrenos à Congregação dos Jerónimos com a obrigação destes celebrarem missa diária em sufrágio do infante D. Henrique, e depois, do rei D. Manuel I e de seus sucessores. Na igreja monástica queria ainda o rei ser sepultado.

O Mosteiro dos Jerónimos, obra fundamental da arquitectura manuelina, teve o risco inicial de Boitaca (1502), que lançou os fundamentos da Igreja e do Claustro, e cuja campanha de obra inclui o arranque do portal principal, tendo igualmente deixado marca indelével neste monumento mestres-pedreiros-arquitectos, como João de Castilho (c.1475-1552), Diogo de Torralva (c. 1500-1566) e Jerónimo de Ruão (1530-1601).
As razões que teriam levado D. Manuel I a substituir a Ordem de Cristo pelos Monges Jerónimos integraram--se decerto numa estratégia política ou jogo de correlação de forças. A predilecção de D. Manuel I pelos frades Jerónimos ficaria bem assinalada no grande apoio concedido a diversas fundações.
Além de Santa Maria de Belém, D. Manuel I e D. João III (1521-1616) acrescentariam novas casas à expansão dos Jerónimos. Esta instituição fundara-se no século XIV, em Itália, aglutinando grupos dispersos de eremitas inspirados nos textos do asceta S. Jerónimo (séculos IV-V), um dos quatro Doutores da Igreja Ocidental. Vieram os primeiros Jerónimos para a Península Ibérica ainda no século XIV e entre nós beneficiaram do apoio de D. João I, que para eles comprou a quinta da Penha Longa e mandou ali erguer um mosteiro de onde sairia o grupo que deu vida ao de Belém. Notabilizaram-se os frades de S. Jerónimo por um extraordinário labor cultural, registando a nossa História nomes de grandes mestres dessa Ordem em diversos campos.
D. Manuel I doou ao mosteiro em 1499 o vultoso benefício da cobrança da vigésima parte do ouro que viesse da Guiné, a «vintena da pimenta», e das especiarias e pedrarias da Índia, caudal que não só sustentaria desafogadamente a comunidade e as suas iniciativas culturais e benefecientes, como, de imediato, deu para contratar os melhores mestres e custear toda a despesa da edificação.
D. Manuel I, entretanto, ia alterando o programa original da obra, querendo agregar ao mosteiro uma residência régia ocasional. A morte do rei em 1521 terá afastado essa ideia. Uma outra função, empresarial, seria a de armazém da provisão de navios a instalar na extensa galeria do piso térreo da ala poente, de arcaria aberta a sul. D. Manuel I quis também fazer da igreja panteão real, para si e para sua linha sucessória, tornando-se, em consequência, apenas permitidos enterramentos régios no interior do templo.
Obras posteriores vieram modificar o edifício. D. Catarina, viúva de D. João III, mandou demolir a capela-mor, por ser pequena, e construir a que conhecemos. Nas épocas de D. Sebastião, dos Filipes de Espanha, de D. Pedro II e de D. João V, foram introduzidos novos elementos de modernização, especialmente decorativa.

Em 1584, Filipe II retirou ao Mosteiro dos Jerónimos o citado rendimento dos 5% sobre alguns produtos ultramarinos, o que conduziu ao início das dificuldades financeiras. Estas, continuariam no tempo de D. João V, decaindo a importância do mosteiro e acentuando-se a carência de meios materiais. Os problemas conflituosos agravaram-se com o governo do Marquês de Pombal, levando os frades a buscar novas (e mais escassas) fontes de subsistência, como o aluguer da galeria-armazém à Tanoaria Real, à Alfândega de Lisboa e a armazéns de produtos das terras encontradas, e também o fabrico e venda de pastéis de nata (cuja fama se mantém), etc. O Estado negava direitos ao mosteiro, apossava-se dos seus haveres, a Real Junta da Marinha instalada nas arcadas não pagava rendas desde 1763, as tropas inglesas e o Hospital Militar Britânico durante cinco anos aquarteladas nas galerias superiores do claustro, para o que foram entaipados os arcos, danificaram muito o mosteiro e não havia dinheiro para reparações. Definhavam os estudos e a vida espiritual e moral do convento.
Extinto pelo governo liberal em 1833, o mosteiro foi incorporado na coroa, tornando-se nova instalação do instituto educativo fundado por Pina Manique, a Casa Pia, passando a igreja a sede de paróquia. O valiosíssimo recheio do mosteiro praticamente desapareceu, tendo uma grande parte sido destruído.

Desde sempre intimamente ligado à casa Real Portuguesa, o Mosteiro dos Jerónimos, pela força da Ordem e suas ligações a Espanha, pela produção intelectual dos seus monges, pelo facto de estar inevitavelmente ligado à epopeia dos Descobrimentos e, inclusivamente, pela sua localização geográfica, na capital, à entrada do porto, é cedo interiorizado como um dos símbolos da nação lusa.
Inclui, entre outros, os túmulos dos reis D. Manuel I e sua mulher, sua filha D. Maria, D. João III e sua mulher D. Catarina, D. Henrique e ainda os de Vasco da Gama, de Luís Vaz de Camões, de Alexandre Herculano e de Fernando Pessoa.
Declarado Monumento Nacional em 1904, passou a “Património Cultural de Toda a Humanidade” em 1984, por declaração da UNESCO.
Os Claustros do Mosteiro dos Jerónimos foram o palco da assinatura do tratado de adesão à ComunidadeEuropeia, em 1986, sendo simbolicamente escolhidos para expressar que ser europeu não implica a perca da identidade portuguesa.

Autor: A. Pires
Adaptacão de vária literatura e consulta internet

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Convento da Ordem do Carmo


O Convento da Ordem do Carmo, monumento edificado no século XIV, ergue-se no Monte do Carmo, com cabeceira em posição destacada sobranceira ao Rossio e fronteira ao Castelo de S. Jorge. Começou por ser um convento carmelita, hoje, é a sede da Associação dos Arqueólogos Portugueses e também museu arqueológico.

De traço gótico, a igreja segue o modelo das construções mendicantes do século XIII, mas já de influência do Mosteiro da Batalha. A planta é em cruz latina, de três naves e cinco tramos, tem cabeceira com capela-mor saliente e de maior altura, ladeada por quatro absidíolos poligonais escalonados, o que constitui uma variante do modelo da Batalha e evolução do modelo das cabeceiras das igrejas mendicantes mais importantes. Manifesta ainda influência batalhina nos dois andares da capela-mor e na decoração vegetalista de duas filas nos capitéis, nítido neogótico romântico na forma híbrida dos pilares da igreja. As janelas da capela-mor são baixas e mal proporcionadas, contrastando com a elegância das frestas dos absidíolos. 
Nas obras do convento trabalharam os artificies Lourenço Gonçalves, Estêvão Vasques, Lourenço Afonso e João Lourenço e alguns operários de origem judaica, como Judas Acarron e Benjamim Zagas. Das antigas dependências conventuais subsiste o claustro, de planta rectangular, o refeitório, hoje dividido em dois pisos, a sacristia, de planta rectangular e coberta por cruzaria de ogivas, e uma torre sineira robusta. 
Segundo a tradição, foram construídas na cerca do convento celas provisórias para acolher os freires vindos do Mosteiro de Moura. Afonso Dornelas supõe-nas de pequeníssimas dimensões, divididas umas das outras por paredes de adobe, formando pequeno quadrado com claustro ao centro. A cela que formava o ângulo das duas alas de celas era a de Nuno Álvares Pereira e ficou conhecida como "Casa do Século". Esta situava-se, portanto, junto à "Porta do Carro", sensivelmente correspondente hoje ao lado direito da entrada do túnel que dá acesso ao quartel da GNR.

O convento foi mandado construir em 1389 pelo Condestável D. Nuno Álvares Pereira, em terrenos adquiridos ao almirante Pessanha e à irmã do Condestável, D. Beatriz, obtendo licença papal de Urbano VI. O solo arenoso e a escarpa instável levaram ao desmoronamento dos alicerces por duas vezes, obrigando D. Nuno a dizer que se os alicerces caíssem de novo haviam de ser de bronze. Em 1392, o Condestável convidou os frades carmelitas de Moura a ingressarem no convento.
Em 1404, D. Nuno Álvares Pereira doou ao convento o seu património e, mais tarde, professou na ordem dos carmelitas e doou-lhes o convento. Em meados do século XVI, o convento tinha a renda de 2 000 cruzados e albergava 70 frades e 10 servidores. Nos finais do século XVII, durante as guerras da Sucessão, os monges tentaram ajudar D. António, Prior do Crato, nas suas pretensões ao trono. 
Devido ao terramoto de 01 de Novembro 1755 ficou em ruinas, não tendo sido reconstruído, constitui-se num dos principais testemunhos da catástrofe visíveis na cidade.

Actualmente as ruínas abrigam o Museu Arqueológico do Carmo. O corpo principal da igreja e o coro, cujo telhado resistiu ao terramoto, foram requalificados e abrigam hoje um Museu Arqueológico com uma pequena mas interessante colecção. 
Do paleolítico e neolítico português destacam-se as peças provenientes de escavações de uma fortificação pré-histórica perto de Azambuja. 
O núcleo de túmulos góticos inclui o de D. Fernando Sanches, início do século XIV, decorado com cenas de caça ao javali, e o magnífico túmulo do rei D. Fernando I, transferido de um convento em Santarém para o museu. Destaca-se também uma estátua de um rei do século XIII, talvez D. Afonso Henriques, além de peças romanas, visigóticas e até duas múmias peruanas.
 
O conjunto, que já foi a principal igreja gótica da capital, e que pela sua grandeza e monumentalidade concorria com a própria Sé de Lisboa, ficou em ruínas no terramoto de 1755. É possível que a ruína do Convento do Carmo e do vizinho Convento da Trindade, aquando daquele terramoto, esteja na origem da expressão popular "Cair o Carmo e a Trindade".

Autor: A. Pires

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A origem da língua portuguesa


Cumpre aos linguistas propor hipóteses explicativas da origem duma língua, tanto nos seus aspectos morfológicos quanto sintácticos, entendendo pelos primeiros o modo como as palavras se pronunciam e se escrevem, analisando os segundos o modo como se entrelaçam na frase, inclusive possibilitando, dessa forma, alguma mudança de significado – pois também aqui o contexto desempenha papel relevante. 

O sugestivo e bem eloquente relato bíblico da Torre de Babel (Génesis 11, 1-8) explicita que todas as línguas brotaram dum tronco comum. No que respeita ao Ocidente, dessa base têm partido os linguistas, ao considerarem o indo-europeu essa base donde tudo partiu. 
Ao embrenhar-me no tema das divindades indígenas, pré-romanas, na mira de, através da análise etimológica dos teónimos, lhes determinar atributos e funções, à Linguística tive, pois, de recorrer. Um emaranhado de sugestões – adiante-se desde já – porque se lida com vocábulos fruto de longa evolução, cujo som e respectiva representação gráfica algo terão, necessariamente, de aleatório. 
Uma convicção perfilho, hoje: o do importante papel da oralidade e da convivência. A transposição escrita do que se ouve está sujeita a inúmeras contingências (recorde-se o caso da senhora que se chama Prantilhana…); e não vale a pena, por isso, digladiarmo-nos por causa dum e ou dum i. A própria pronúncia da mesma palavra assume tonalidades diferentes, inclusive no Português, que é uma das línguas consolidadas há mais tempo no Ocidente europeu. Virá a talhe de foice recordar que, em relação ao Latim, há três possíveis pronúncias para, por exemplo, o nome Cicero: a (dita) restaurada, a ‘portuguesa’ e a romana!... 

Derivado, sem dúvida, do Latim, o Português acolheu de boamente contributos do Grego, do Árabe, do Visigótico… e, já nos nossos dias, consignados no Dicionário da Academia, termos próprios de outros países europeus, do Brasil e dos PALOPS (daí, a ideia peregrina do tal acordo ortográfico…). 
O lugar e o tempo constituem, consequentemente, coordenadas a ter em conta, mormente se pensarmos que, apesar de termos apenas duas línguas oficiais – o Português e o Mirandês – há ainda o barranquenho, o minderico e – porque não? – o falar algarvio, o falar gandarês…. 
O Brasil poderá ser também motivo de sugestiva análise, se atentarmos que, logo no aeroporto, quando chegamos, deparamos não com a indicação «tapete» mas o classicíssimo «esteira»; e a nossa ‘fotocópia’ é… xerox! A simbiose perfeita entre o conservadorismo vernáculo e a adopção sem peias do neologismo preciso. 

Qual a origem da língua portuguesa, portanto? O Povo que desde há muito séculos a fala, em épocas e em lugares precisos. Uma origem que não devemos, por consequência, considerar estática nem no tempo nem no espaço – porque… está viva! E amadurece todos os dias!

Autor: Prof. Dr. José D'Encarnação

terça-feira, 1 de maio de 2012

Rito da fertilidade


No dia 1 de Maio o Sol “astrologicamente” encontra-se em Touro, e o Touro marca a morte do Inverno, o nascimento da Primavera, o retorno do Sol do “Deus Sol”. Este festival de raízes celtas Beltane deriva ainda de um antigo festival Druida, festival do Fogo, ambos celebram a união da Deusa ao Deus, da Lua ao Sol. Assim, se celebrava o chamado casamento sagrado, era escolhida uma sacerdotisa e um sacerdote para esse fim e era dada força aos poderes da Luz e da nova Vida que dançavam e se moviam através de toda a criação. Nestes rituais acendiam-se fogueiras, os chamados Fogos Sagrados de Beltane desde a noite anterior para indicar o caminho para o retorno do Sol, as trevas terminavam aí, a Roda da Vida girava para a Luz. Embora chamem as estas festividades cultos lunares elas sempre seguiram o ritmo do Sol. 
Ainda, interessante é que Mitra era um Deus Solar e o Touro era o seu símbolo, a morte sacrificial do Touro que neste caso representaria a Lua, talvez simbolizasse o vencer da Luz sobre as trevas, isso permanece um mistério. 

Em volta destes ritos lunares/solares, pois uns não existem sem o outro haveremos de falar melhor e mais pormenorizadamente, dado ser crente que dentro de cada um de nós se sente as tais "forças", das quais falaremos em breve. 

Autor: O. Florência

quarta-feira, 25 de abril de 2012

No dia em que Salgueiro Maia saiu à rua...

25 de Abril de 1974 - 25 de Abril de 2012 - 38 anos de Liberdade!


Foram dias, foram anos a esperar por um só dia.
Alegrias. Desenganos. 
Foi o tempo que doía com seus riscos e seus danos. 
Foi a noite e foi o dia na esperança de um só dia. 

Manuel Alegre



VITRIOL - ASSOCIAÇÃO PARA A DIVULGAÇÃO E PROMOÇÃO DA LÍNGUA E CULTURA LUSÓFONA

terça-feira, 10 de abril de 2012

O Regresso

Ensinar-te-ei coisas que ninguém te poderá ensinar: 
Que o pão é pão, que o vinho é vinho,
Que o teu corpo é o meu corpo,
Que com o pão, o vinho,
A carne e os frutos
Alimentarás a minha e a tua carne,
O meu e o teu verbum. .
Que do teu corpo que é o meu corpo,
Despertará o Espírito,
Que os teus olhos que são os meus olhos,
Verão os sinais,
Que os teus ouvidos que são meus ouvidos,
 Ouvirão a palavra,
Que as tuas mãos que são as minhas mãos,
Moldarão a vida,
Que o teu corpo morrerá com o meu corpo,
No fim do teu caminho,
 E outros caminhos seguiremos,
Por eu ser o Todo e estar em ti.
Tu fazes parte desse Todo, desse círculo,
 Que é um princípio e um fim perpétuos;
Onde cabe toda a geometria,
Toda a matemática,
Toda a ciência do perpétuo imaginário do homem.
Que de noite como os corvos
Tocarás a Lua,
Que de dia como as águias
Enfrentarás o Sol.

Quando tudo parecer o fim será a Suprema Luz
E tudo o que é espírito, Espírito Santo será
E tudo o que é carne ao pó voltará.

No Fim dos Fins, Princípio dos Princípios,
Eu estarei no trono com o meu Pai,
Para julgar a tua aritmética.
Aquilo que somaste para ti
Poderás ter subtraído a outros,
E o que multiplicaste para ti
Poderás não ter multiplicado para outros;
E tudo o que dividiste da tua multiplicação,
E tudo o que subtraíste à tua soma
E dividiste pelos teus Irmãos
Farão parte da tua contabilidade.

O meu Reino será o teu Reino,
A minha Coroa será a tua Coroa,
O meu Irmão caído regressará a Casa.


Autor: Jónatas

terça-feira, 3 de abril de 2012

Enorme rampa de lançamento de barcos do séc. XVI



Os arqueólogos encontraram uma enorme rampa de lançamento de barcos do séc. XVI junto ao mercado da Ribeira, em Lisboa. Feita com troncos de madeira sobrepostos, a estrutura ocupa 300 metros quadrados e data de uma época em que a cidade sofria os efeitos de sucessivos surtos de peste e epidemias, graças aos contactos com outra gente proporcionados pelos Descobrimentos. 

Para continuar a trazer de além-mar o ouro, a pimenta e o marfim que lhe permitiam pagar as contas, o reino investia na construção naval, e a zona ribeirinha da cidade foi designada como espaço privilegiado de estaleiros. Os relatos da altura dão conta de uma cidade cheia de escravos vindos de além-mar, mas também de mendigos fugidos do resto do país para escapar à fome. 

Os arqueólogos nem queriam acreditar na sua sorte quando depararam com a rampa enterrada no lodo debaixo da Praça D. Luís, a seis metros de profundidade, e muito provavelmente associada a um estaleiro naval que ali deverá ter existido. "É impressionante: é muito difícil encontrar estruturas de madeira em tão bom estado", explica uma das responsáveis da escavação, Marta Macedo, da empresa de arqueologia Era. 
No Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico o achado também tem sido motivo de conversa, até porque os técnicos desta entidade foram chamados a acompanhar os trabalhos, que estão a ser feitos no âmbito da construção de um parque de estacionamento subterrâneo. A subdirectora do instituto, Catarina de Sousa, diz que esta e outras estruturas encontradas são, apesar de muito interessantes, perecíveis, pelo que a sua conservação e musealização na Praça D. Luís é "praticamente inviável". Como a escavação ainda não terminou, os arqueólogos acalentam a esperança de ainda serem brindados, em níveis mais profundos, com algum barco submerso no lodo, como já sucedeu ali perto, tanto no Cais do Sodré como no Largo do Corpo Santo e na Praça do Município. "É possível isso acontecer", admite Catarina de Sousa. 

Musealização em estudo 
No séc. XVI toda a zona entre o mercado da Ribeira e Santos era de praias fluviais. Mas não era para lazer que serviam os areais banhados pelo Tejo. Na História de Portugal coordenada por José Mattoso, Romero Magalhães conta como, poucos anos após a primeira viagem de Vasco da Gama à India, "a zona ribeirinha da cidade é devassada pelos empreendimentos do monarca [D. Manuel I] e dos grandes armadores". 
Depressa surgem conflitos com a Câmara de Lisboa, ao ponto de o rei ter, em 1515, retirado ao município a liberdade de dispor das áreas ribeirinhas para outros fins que não os relacionados com o apetrecho e reparação das naus, descreve o mesmo autor. São as chamadas tercenas, locais dedicados à função naval e representados em vários mapas da época. Mais tarde a mesma designação passa a abranger também o lugar onde se produziam e acondicionavam materiais de artilharia. 
O espólio encontrado pelos arqueólogos inclui uma bala de canhão, um pequeno cachimbo, um pião, sapatos ainda com salto - na altura os homens também os usavam -, restos de cerâmica e uma âncora com cerca de quatro metros de comprimento, além de cordame de barco. Também há uma casca de coco perfeitamente conservada, vinda certamente de paragens exóticas para as quais os portugueses navegavam. 
Um relatório preliminar dos trabalhos arqueológicos em curso explica como a zona da freguesia de S. Paulo se transformou de um aglomerado de pescadores, fora dos limites da cidade de Lisboa, num espaço importante para a diáspora: "A expansão ultramarina contribuiu para uma reestruturação do espaço urbano de Lisboa, que se organiza desde então a partir de um novo centro: a Ribeira". Em redor do Paço Real reúnem-se os edifícios administrativos. "É na zona ocidental da Ribeira que a partir das doações de D. Manuel se irão instalar os grandes mercadores e a nobreza ligada aos altos funcionários de Estado, que irão auxiliar o rei (...) na expansão ultramarina e na centralização do poder", pode ler-se no mesmo relatório. A escavação detectou ainda restos de outras estruturas mais recentes. É o caso de uma escadaria e de um paredão do Forte de S. Paulo, um baluarte da artilharia costeira construído no âmbito das lutas da Restauração, no séc. XVII. E também do vestígios do cais da Casa da Moeda, local onde se cunhava o metal usado nas transacções. Por fim, foram descobertas fornalhas da Fundição do Arsenal Real, uma unidade industrial da segunda metade do séc. XIX. 

"Esta escavação vai permitir conhecer três séculos de história portuária", sublinha outro responsável pela escavação, Alexandre Sarrazola. Embora esteja ciente de que a maioria dos vestígios terá ser destruída depois de devidamente registada em fotografia e desenho, o arqueólogo diz que algumas das peças encontradas poderão vir a ser salvaguardadas e mesmo integradas no projecto do estacionamento, como já sucedeu com os vestígios do parque de estacionamento subterrâneo do Largo do Camões - ou então transportadas para um museu. 
"Face ao desconhecimento do que ainda pode vir a ser encontrado por baixo da estrutura de madeira do séc. XVI está tudo em aberto", salienta, acrescentando que a decisão final caberá ao Instituto do Património Arquitectónico e Arqueológico.

terça-feira, 27 de março de 2012

É chegada a Primavera


É chegada a Primavera o sol, na sua órbita aparente, como vista da terra cruza o plano do equador celeste, Primavera do latim Prima Vera, inicio de boa estação, os dias são iguais às noites e parece que toda a natureza entra numa fase de equilíbrio. 
O homem primordial sentia-se restringido a um mundo, onde se sentia só e exilado, observava as estrelas, o sol, a lua, a vegetação que ora florescia, ora instalava o vazio, a seca e a fome, e aprendeu a viver e a absorver esses ritmos da natureza de morte e renascimento.
Ele dependia desses ritmos da natureza e criou deuses, ritos, rituais e mitos, que curiosamente muitos deles sobrevivem até aos dias de hoje, pois eles são a explicação do mais profundo da nossa alma.

A Primavera era para o homem primordial de suma importância, marcava o fim da hibernação, a natureza florescia, dava o alimento, a sobrevivência, era a Grande Mãe que na sua forma mais gratificante ressurgia como deusa lunar em toda a sua plenitude, mas não existe uma mãe sem o pai, ou a parte feminina sem o seu complemento, para que tudo tomasse forma e vitalidade era necessário que a deusa fosse fecundada e aí o Sol na sua forma de deus, fecundava as sementes adormecidas no ventre da terra, dando luz e calor permitindo que a vida tivesse continuidade.

Eram vários os festivais de fertilidade, que marcavam esta “união alquímica” da deusa/deus desde o mais profundo da alma do homem, pois ele próprio tal como a natureza passava por todas estas mutações. Estes festivais de fertilidade eram na sua maioria Rituais Iniciáticos, tomavam o grão e a sua metamorfose, como um espelho do que se passava na sua alma e o segredo dessa transformação, a morte e o renascimento.
 
A Lusitânia foi palco de vários cultos e rituais, desde o mais antigo, o culto da Serpente do povo proto-histórico os Lapídeas ou Ofi, este culto ofiolátrico, estendeu-se por toda a zona norte em especial Vila Real, de que ainda hoje existem vestígios.
O panteão Ibérico tinha a sua deusa Ategina (a renascida) como deusa Mãe. Também ela uma deusa agrária e da fertilidade e simultaneamente Infernal, era uma deusa tríplice, consorte do deus Endovélico, o seu complemento divino, solar, agrário e ao mesmo tempo infernal. Reinavam juntos no mundo “inferior” como sementes adormecidas, para na Primavera ressurgirem também como casal, fazendo toda a natureza florescer e procriar. Embora Ategina apareça várias vezes associada a Perséfone grega, Ategina parece reunir em si todos os elementos do mito Deméter/Perséfone.

À semelhança, também Perséfone Donzela da Primavera e Rainha dos Infernos ressurgia no seu esplender inocente, juvenil, primaveril inundar de vida a terra junto da deusa Deméter sua mãe nos misteriosos Rituais de Elêusis, para no Outono retornar ás profundezas da terra onde estão as sementes a germinar para um novo ciclo, submundo esse do qual se tornou Rainha, pois Hades ao dar-lhe a comer a “semente” da deliciosa romã, símbolo da fertilidade mas também do conhecimento oculto, não é ao acaso que os sacerdotes e sacerdotisas em Elêusis se coroavam com ramos de romãzeira. Tal como Ategina, Perséfone vivia seis meses na Terra, na Luz, e outros seis meses submersa no solo como um “grão” recolhido.
 
Também os Celtas e os Druidas festejavam a vinda da Primavera, a Festa da Fertilidade Ostara de origem anglo-saxã que significa algo como “sol nascente” ou “sol que se eleva”, estava relacionada à luz crescente da Primavera que traz alegria e bênçãos á terra, segundo a tradição celta nesta data a semente da vida, é semeada no ventre da deusa, a donzela revigorada cheia de alegria e vida.
O deus era devidamente armado para iniciar a sua viagem do mundo das trevas para que a Luz voltasse a reinar, que culminava no maior Festival Celta da Primavera Beltane. Dia 1 de Maio, o sol “astrologicamente” encontra-se em Touro e o Touro marca a morte do Inverno, o nascimento da Primavera, o retorno do sol do “deus sol”, este festival de raízes celtas Beltane deriva ainda de um antigo festival Druida do Fogo, ambos celebravam a união da Deusa ao Deus, da Lua ao Sol e assim se consumava o chamado “casamento sagrado”, era escolhida uma sacerdotisa e um sacerdote para esse fim e assim era dada força aos poderes da Luz e da nova vida que dançavam e se moviam através de toda a criação .
Nestes rituais acendiam-se fogueiras, os chamados Fogos Sagrados de Beltane desde a noite anterior para indicar o caminho para o retorno do Sol, as trevas terminavam aí e a Roda da Vida girava para a Luz, embora chamem as estas festividades cultos lunares elas sempre seguiram o ritmo do Sol. 
Interessante que Mitra era um Deus Solar e o Touro era o seu símbolo, a morte sacrificial do Touro que neste caso representaria a Lua, talvez simbolizasse o vencer da Luz sobre as trevas, mas isso permanece um mistério. 

Que este Equinócio de Primavera nos traga o exacto equilíbrio de toda a vida que nos rodeia, para que deixemos de estar exilados dentro de nós próprios e façamos parte deste maravilhoso ciclo da natureza.

Autor: O. Florência

sexta-feira, 23 de março de 2012

Pintura de Camen-Lara Interpreta o Fado a Solo


Carmen-Lara nasceu no Bombarral, vive em Sintra e, embora tendo começado a expor há três anos já fez uma dezena de exposições individuais e participou em duas dezenas de exposições colectivas nas mais diversas instituições. 
A sua obra Arte Universal está exposta permanentemente nos espaços de arte: “Diz-me o Que Lês…” – Parque das Nações – Lisboa e Múri Artesanato – Olaias – Lisboa. 
Pela sua importância e criatividade realcemos as recentes realizações do seu curriculum: 
2010 – Museu da República e Resistência, em Lisboa – Primeira exposição individual de Arte Maçónica realizada em Portugal franqueada ao público; 
2011 – Organização da 1ª Colectiva de Arte Universal, com a apresentação de 3 obras suas obras de diversos Artistas e Países - Museu da República e da Resistência em Lisboa – com o apoio institucional das Embaixadas de: África do Sul; Brasil; Bulgária; Letónia; México; Moçambique; Panamá e Polónia; 
2011 – O livro “Arte Maçónica Numa Visão Profana”, de Carmen-Lara e prefaciado por António Arnaut, com apresentação pública no Grémio Lusitano. António Arnaut, num douto preâmbulo, considera que “servindo-se habilmente da simbologia maçónica, Carmen-Lara soube combinar na paleta da sua imaginação as tintas que deram forma e cor ao “espírito” que se exala, como um suspiro de amor, destas 33 telas que vieram enriquecer a arte maçónica”. 
Carmen-Lara, diz: “Pretendo construir uma ponte entre o mundo profano e o mundo maçónico. De uma forma suave e subtil, pretendo também construir uma verdadeira ponte de passagem do mundo profano para o verdadeiro Conhecimento, suscitando o interesse para a pesquisa, assim contribuindo para a desmistificação de alguns conceitos errados no mundo profano, consequentes de um estado de desconhecimento.” 

A obra que pode ser apreciada em exposição é fundamentada no Fado. 
A origem do fado parece despontar da imensa popularidade nos séculos XVIII e XIX da Modinha, uma teoria, não completamente provada e da sua síntese popular com outros géneros afins, como o Lundu. No essencial, a origem do fado é ainda desconhecida, mas certo é, que surge no rico caldo de culturas presentes em Lisboa, sendo por isso uma canção urbana. No entanto, o fado só passou a ser conhecido depois de 1840, nas ruas de Lisboa. Nessa época só o fado do marinheiro era conhecido, e era, tal como as cantigas de levantar ferro as cantigas das fainas, ou a cantiga do degredado, cantado pelos marinheiros na proa do navio. 
É este fado que se vai tornar o modelo de todos os outros géneros de fado que mais tarde surgiriam como o fado corrido que surgiu a seguir e depois deste o fado da cotovia. E com o fado surgiram os fadistas, com os seus modos característicos de se vestirem, as suas atitudes não convencionais, desafiadoras por vezes, que se viam em frequentes contendas com grupos rivais. Um fadista, ou faia, de 1840 seria reconhecido pela sua maneira de trajar. 
A sua origem histórica é incerta e não é uma importação, mas antes uma criação que surge de uma mistura cultural que ocorreu em Lisboa. 
A primeira cantadeira de fado de que se tem conhecimento foi Maria Severa que cantava e tocava guitarra nas ruas da Mouraria, especialmente na Rua do Capelão. Era amante do Conde de Vimioso e o romance entre ambos é tema de vários fados. 
Os temas mais cantados no fado são a saudade, a nostalgia, o ciúme, as pequenas histórias do quotidiano dos bairros típicos e as lides de touros. Eram os temas permitidos pela ditadura de Salazar, que permitia também o fado trágico, de ciúme e paixão resolvidos de forma violenta, com sangue e arrependimento. Letras que falassem de problemas sociais, políticos ou quejandos eram reprimidas pela censura. 
O fado moderno teve o seu apogeu com Amália Rodrigues. Foi ela quem popularizou fados com letras de grandes poetas, como Luís de Camões, José Régio, Pedro Homem de Mello, Alexandre O’Neill, David Mourão-Ferreira, José Carlos Ary dos Santos. 
Nascido em Lisboa o fado tornou-se rapidamente numa canção nacional, que é hoje conhecido mundialmente pode ser (e é muitas vezes) acompanhado por violino, violoncelo e até por orquestra, mas não dispensa a sonoridade da guitarra portuguesa. 
No dia 27 de Novembro de 2011, a UNESCO declarou o Fado Património Imaterial da Humanidade.

Esta obra que vos é proporcionada teve a inspiração profunda na origem e história do Fado, nos poemas dos poetas que foram transportados para a arte de cantar o fado, na música dos mestres que souberam manter e elevar a composição musical única, nos Fadistas que ao longo do tempo deram voz a esta canção muito própria portuguesa e aos músicos que elevaram os sons e trinados da guitarra e viola portuguesa. 
Todas as obras são criações únicas, cuja fonte de inspiração é, tão somente, fruto das suas ideias, das suas emoções, da sua intuição e do seu estudo, cujos resultados faz repercutir na tela as cores, o traço, o sentir, a criatividade, o construir. 
As obras expressam o sublimar da arte na sua essência e no que mais genuíno tem: a alma de ser Português! 
Soube transmitir para a tela, e tela transmiti-nos essa única maneira de ser e sentir bem português: a Saudade! 
Embrenhando-nos na poesia leva-nos a sentir nos tempos a alma da poesia portuguesa. 
Na ideia e sentimento muito forte emocionalmente, como dizia Fernando Pessoa: “ é outra coisa ainda, e essa coisa é que é linda”! 

Na inauguração da Exposição de Pintura realizada a 23.03.2012 no Museu República e Resistência - espaço Grandela, patente até 11 de Abril, foi partilhado além da arte e obra da artista Carmen-Lara, a poesia, o fado, os trinados das guitarras e violas num são e agradável convívio e partilha no final da tarde primaveril. 
Os sinceros agradecimentos a todos os participantes!

Autor: A. Pires