quarta-feira, 25 de abril de 2012

No dia em que Salgueiro Maia saiu à rua...

25 de Abril de 1974 - 25 de Abril de 2012 - 38 anos de Liberdade!


Foram dias, foram anos a esperar por um só dia.
Alegrias. Desenganos. 
Foi o tempo que doía com seus riscos e seus danos. 
Foi a noite e foi o dia na esperança de um só dia. 

Manuel Alegre



VITRIOL - ASSOCIAÇÃO PARA A DIVULGAÇÃO E PROMOÇÃO DA LÍNGUA E CULTURA LUSÓFONA

terça-feira, 10 de abril de 2012

O Regresso

Ensinar-te-ei coisas que ninguém te poderá ensinar: 
Que o pão é pão, que o vinho é vinho,
Que o teu corpo é o meu corpo,
Que com o pão, o vinho,
A carne e os frutos
Alimentarás a minha e a tua carne,
O meu e o teu verbum. .
Que do teu corpo que é o meu corpo,
Despertará o Espírito,
Que os teus olhos que são os meus olhos,
Verão os sinais,
Que os teus ouvidos que são meus ouvidos,
 Ouvirão a palavra,
Que as tuas mãos que são as minhas mãos,
Moldarão a vida,
Que o teu corpo morrerá com o meu corpo,
No fim do teu caminho,
 E outros caminhos seguiremos,
Por eu ser o Todo e estar em ti.
Tu fazes parte desse Todo, desse círculo,
 Que é um princípio e um fim perpétuos;
Onde cabe toda a geometria,
Toda a matemática,
Toda a ciência do perpétuo imaginário do homem.
Que de noite como os corvos
Tocarás a Lua,
Que de dia como as águias
Enfrentarás o Sol.

Quando tudo parecer o fim será a Suprema Luz
E tudo o que é espírito, Espírito Santo será
E tudo o que é carne ao pó voltará.

No Fim dos Fins, Princípio dos Princípios,
Eu estarei no trono com o meu Pai,
Para julgar a tua aritmética.
Aquilo que somaste para ti
Poderás ter subtraído a outros,
E o que multiplicaste para ti
Poderás não ter multiplicado para outros;
E tudo o que dividiste da tua multiplicação,
E tudo o que subtraíste à tua soma
E dividiste pelos teus Irmãos
Farão parte da tua contabilidade.

O meu Reino será o teu Reino,
A minha Coroa será a tua Coroa,
O meu Irmão caído regressará a Casa.


Autor: Jónatas

terça-feira, 3 de abril de 2012

Enorme rampa de lançamento de barcos do séc. XVI



Os arqueólogos encontraram uma enorme rampa de lançamento de barcos do séc. XVI junto ao mercado da Ribeira, em Lisboa. Feita com troncos de madeira sobrepostos, a estrutura ocupa 300 metros quadrados e data de uma época em que a cidade sofria os efeitos de sucessivos surtos de peste e epidemias, graças aos contactos com outra gente proporcionados pelos Descobrimentos. 

Para continuar a trazer de além-mar o ouro, a pimenta e o marfim que lhe permitiam pagar as contas, o reino investia na construção naval, e a zona ribeirinha da cidade foi designada como espaço privilegiado de estaleiros. Os relatos da altura dão conta de uma cidade cheia de escravos vindos de além-mar, mas também de mendigos fugidos do resto do país para escapar à fome. 

Os arqueólogos nem queriam acreditar na sua sorte quando depararam com a rampa enterrada no lodo debaixo da Praça D. Luís, a seis metros de profundidade, e muito provavelmente associada a um estaleiro naval que ali deverá ter existido. "É impressionante: é muito difícil encontrar estruturas de madeira em tão bom estado", explica uma das responsáveis da escavação, Marta Macedo, da empresa de arqueologia Era. 
No Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico o achado também tem sido motivo de conversa, até porque os técnicos desta entidade foram chamados a acompanhar os trabalhos, que estão a ser feitos no âmbito da construção de um parque de estacionamento subterrâneo. A subdirectora do instituto, Catarina de Sousa, diz que esta e outras estruturas encontradas são, apesar de muito interessantes, perecíveis, pelo que a sua conservação e musealização na Praça D. Luís é "praticamente inviável". Como a escavação ainda não terminou, os arqueólogos acalentam a esperança de ainda serem brindados, em níveis mais profundos, com algum barco submerso no lodo, como já sucedeu ali perto, tanto no Cais do Sodré como no Largo do Corpo Santo e na Praça do Município. "É possível isso acontecer", admite Catarina de Sousa. 

Musealização em estudo 
No séc. XVI toda a zona entre o mercado da Ribeira e Santos era de praias fluviais. Mas não era para lazer que serviam os areais banhados pelo Tejo. Na História de Portugal coordenada por José Mattoso, Romero Magalhães conta como, poucos anos após a primeira viagem de Vasco da Gama à India, "a zona ribeirinha da cidade é devassada pelos empreendimentos do monarca [D. Manuel I] e dos grandes armadores". 
Depressa surgem conflitos com a Câmara de Lisboa, ao ponto de o rei ter, em 1515, retirado ao município a liberdade de dispor das áreas ribeirinhas para outros fins que não os relacionados com o apetrecho e reparação das naus, descreve o mesmo autor. São as chamadas tercenas, locais dedicados à função naval e representados em vários mapas da época. Mais tarde a mesma designação passa a abranger também o lugar onde se produziam e acondicionavam materiais de artilharia. 
O espólio encontrado pelos arqueólogos inclui uma bala de canhão, um pequeno cachimbo, um pião, sapatos ainda com salto - na altura os homens também os usavam -, restos de cerâmica e uma âncora com cerca de quatro metros de comprimento, além de cordame de barco. Também há uma casca de coco perfeitamente conservada, vinda certamente de paragens exóticas para as quais os portugueses navegavam. 
Um relatório preliminar dos trabalhos arqueológicos em curso explica como a zona da freguesia de S. Paulo se transformou de um aglomerado de pescadores, fora dos limites da cidade de Lisboa, num espaço importante para a diáspora: "A expansão ultramarina contribuiu para uma reestruturação do espaço urbano de Lisboa, que se organiza desde então a partir de um novo centro: a Ribeira". Em redor do Paço Real reúnem-se os edifícios administrativos. "É na zona ocidental da Ribeira que a partir das doações de D. Manuel se irão instalar os grandes mercadores e a nobreza ligada aos altos funcionários de Estado, que irão auxiliar o rei (...) na expansão ultramarina e na centralização do poder", pode ler-se no mesmo relatório. A escavação detectou ainda restos de outras estruturas mais recentes. É o caso de uma escadaria e de um paredão do Forte de S. Paulo, um baluarte da artilharia costeira construído no âmbito das lutas da Restauração, no séc. XVII. E também do vestígios do cais da Casa da Moeda, local onde se cunhava o metal usado nas transacções. Por fim, foram descobertas fornalhas da Fundição do Arsenal Real, uma unidade industrial da segunda metade do séc. XIX. 

"Esta escavação vai permitir conhecer três séculos de história portuária", sublinha outro responsável pela escavação, Alexandre Sarrazola. Embora esteja ciente de que a maioria dos vestígios terá ser destruída depois de devidamente registada em fotografia e desenho, o arqueólogo diz que algumas das peças encontradas poderão vir a ser salvaguardadas e mesmo integradas no projecto do estacionamento, como já sucedeu com os vestígios do parque de estacionamento subterrâneo do Largo do Camões - ou então transportadas para um museu. 
"Face ao desconhecimento do que ainda pode vir a ser encontrado por baixo da estrutura de madeira do séc. XVI está tudo em aberto", salienta, acrescentando que a decisão final caberá ao Instituto do Património Arquitectónico e Arqueológico.

terça-feira, 27 de março de 2012

É chegada a Primavera


É chegada a Primavera o sol, na sua órbita aparente, como vista da terra cruza o plano do equador celeste, Primavera do latim Prima Vera, inicio de boa estação, os dias são iguais às noites e parece que toda a natureza entra numa fase de equilíbrio. 
O homem primordial sentia-se restringido a um mundo, onde se sentia só e exilado, observava as estrelas, o sol, a lua, a vegetação que ora florescia, ora instalava o vazio, a seca e a fome, e aprendeu a viver e a absorver esses ritmos da natureza de morte e renascimento.
Ele dependia desses ritmos da natureza e criou deuses, ritos, rituais e mitos, que curiosamente muitos deles sobrevivem até aos dias de hoje, pois eles são a explicação do mais profundo da nossa alma.

A Primavera era para o homem primordial de suma importância, marcava o fim da hibernação, a natureza florescia, dava o alimento, a sobrevivência, era a Grande Mãe que na sua forma mais gratificante ressurgia como deusa lunar em toda a sua plenitude, mas não existe uma mãe sem o pai, ou a parte feminina sem o seu complemento, para que tudo tomasse forma e vitalidade era necessário que a deusa fosse fecundada e aí o Sol na sua forma de deus, fecundava as sementes adormecidas no ventre da terra, dando luz e calor permitindo que a vida tivesse continuidade.

Eram vários os festivais de fertilidade, que marcavam esta “união alquímica” da deusa/deus desde o mais profundo da alma do homem, pois ele próprio tal como a natureza passava por todas estas mutações. Estes festivais de fertilidade eram na sua maioria Rituais Iniciáticos, tomavam o grão e a sua metamorfose, como um espelho do que se passava na sua alma e o segredo dessa transformação, a morte e o renascimento.
 
A Lusitânia foi palco de vários cultos e rituais, desde o mais antigo, o culto da Serpente do povo proto-histórico os Lapídeas ou Ofi, este culto ofiolátrico, estendeu-se por toda a zona norte em especial Vila Real, de que ainda hoje existem vestígios.
O panteão Ibérico tinha a sua deusa Ategina (a renascida) como deusa Mãe. Também ela uma deusa agrária e da fertilidade e simultaneamente Infernal, era uma deusa tríplice, consorte do deus Endovélico, o seu complemento divino, solar, agrário e ao mesmo tempo infernal. Reinavam juntos no mundo “inferior” como sementes adormecidas, para na Primavera ressurgirem também como casal, fazendo toda a natureza florescer e procriar. Embora Ategina apareça várias vezes associada a Perséfone grega, Ategina parece reunir em si todos os elementos do mito Deméter/Perséfone.

À semelhança, também Perséfone Donzela da Primavera e Rainha dos Infernos ressurgia no seu esplender inocente, juvenil, primaveril inundar de vida a terra junto da deusa Deméter sua mãe nos misteriosos Rituais de Elêusis, para no Outono retornar ás profundezas da terra onde estão as sementes a germinar para um novo ciclo, submundo esse do qual se tornou Rainha, pois Hades ao dar-lhe a comer a “semente” da deliciosa romã, símbolo da fertilidade mas também do conhecimento oculto, não é ao acaso que os sacerdotes e sacerdotisas em Elêusis se coroavam com ramos de romãzeira. Tal como Ategina, Perséfone vivia seis meses na Terra, na Luz, e outros seis meses submersa no solo como um “grão” recolhido.
 
Também os Celtas e os Druidas festejavam a vinda da Primavera, a Festa da Fertilidade Ostara de origem anglo-saxã que significa algo como “sol nascente” ou “sol que se eleva”, estava relacionada à luz crescente da Primavera que traz alegria e bênçãos á terra, segundo a tradição celta nesta data a semente da vida, é semeada no ventre da deusa, a donzela revigorada cheia de alegria e vida.
O deus era devidamente armado para iniciar a sua viagem do mundo das trevas para que a Luz voltasse a reinar, que culminava no maior Festival Celta da Primavera Beltane. Dia 1 de Maio, o sol “astrologicamente” encontra-se em Touro e o Touro marca a morte do Inverno, o nascimento da Primavera, o retorno do sol do “deus sol”, este festival de raízes celtas Beltane deriva ainda de um antigo festival Druida do Fogo, ambos celebravam a união da Deusa ao Deus, da Lua ao Sol e assim se consumava o chamado “casamento sagrado”, era escolhida uma sacerdotisa e um sacerdote para esse fim e assim era dada força aos poderes da Luz e da nova vida que dançavam e se moviam através de toda a criação .
Nestes rituais acendiam-se fogueiras, os chamados Fogos Sagrados de Beltane desde a noite anterior para indicar o caminho para o retorno do Sol, as trevas terminavam aí e a Roda da Vida girava para a Luz, embora chamem as estas festividades cultos lunares elas sempre seguiram o ritmo do Sol. 
Interessante que Mitra era um Deus Solar e o Touro era o seu símbolo, a morte sacrificial do Touro que neste caso representaria a Lua, talvez simbolizasse o vencer da Luz sobre as trevas, mas isso permanece um mistério. 

Que este Equinócio de Primavera nos traga o exacto equilíbrio de toda a vida que nos rodeia, para que deixemos de estar exilados dentro de nós próprios e façamos parte deste maravilhoso ciclo da natureza.

Autor: O. Florência

sexta-feira, 23 de março de 2012

Pintura de Camen-Lara Interpreta o Fado a Solo


Carmen-Lara nasceu no Bombarral, vive em Sintra e, embora tendo começado a expor há três anos já fez uma dezena de exposições individuais e participou em duas dezenas de exposições colectivas nas mais diversas instituições. 
A sua obra Arte Universal está exposta permanentemente nos espaços de arte: “Diz-me o Que Lês…” – Parque das Nações – Lisboa e Múri Artesanato – Olaias – Lisboa. 
Pela sua importância e criatividade realcemos as recentes realizações do seu curriculum: 
2010 – Museu da República e Resistência, em Lisboa – Primeira exposição individual de Arte Maçónica realizada em Portugal franqueada ao público; 
2011 – Organização da 1ª Colectiva de Arte Universal, com a apresentação de 3 obras suas obras de diversos Artistas e Países - Museu da República e da Resistência em Lisboa – com o apoio institucional das Embaixadas de: África do Sul; Brasil; Bulgária; Letónia; México; Moçambique; Panamá e Polónia; 
2011 – O livro “Arte Maçónica Numa Visão Profana”, de Carmen-Lara e prefaciado por António Arnaut, com apresentação pública no Grémio Lusitano. António Arnaut, num douto preâmbulo, considera que “servindo-se habilmente da simbologia maçónica, Carmen-Lara soube combinar na paleta da sua imaginação as tintas que deram forma e cor ao “espírito” que se exala, como um suspiro de amor, destas 33 telas que vieram enriquecer a arte maçónica”. 
Carmen-Lara, diz: “Pretendo construir uma ponte entre o mundo profano e o mundo maçónico. De uma forma suave e subtil, pretendo também construir uma verdadeira ponte de passagem do mundo profano para o verdadeiro Conhecimento, suscitando o interesse para a pesquisa, assim contribuindo para a desmistificação de alguns conceitos errados no mundo profano, consequentes de um estado de desconhecimento.” 

A obra que pode ser apreciada em exposição é fundamentada no Fado. 
A origem do fado parece despontar da imensa popularidade nos séculos XVIII e XIX da Modinha, uma teoria, não completamente provada e da sua síntese popular com outros géneros afins, como o Lundu. No essencial, a origem do fado é ainda desconhecida, mas certo é, que surge no rico caldo de culturas presentes em Lisboa, sendo por isso uma canção urbana. No entanto, o fado só passou a ser conhecido depois de 1840, nas ruas de Lisboa. Nessa época só o fado do marinheiro era conhecido, e era, tal como as cantigas de levantar ferro as cantigas das fainas, ou a cantiga do degredado, cantado pelos marinheiros na proa do navio. 
É este fado que se vai tornar o modelo de todos os outros géneros de fado que mais tarde surgiriam como o fado corrido que surgiu a seguir e depois deste o fado da cotovia. E com o fado surgiram os fadistas, com os seus modos característicos de se vestirem, as suas atitudes não convencionais, desafiadoras por vezes, que se viam em frequentes contendas com grupos rivais. Um fadista, ou faia, de 1840 seria reconhecido pela sua maneira de trajar. 
A sua origem histórica é incerta e não é uma importação, mas antes uma criação que surge de uma mistura cultural que ocorreu em Lisboa. 
A primeira cantadeira de fado de que se tem conhecimento foi Maria Severa que cantava e tocava guitarra nas ruas da Mouraria, especialmente na Rua do Capelão. Era amante do Conde de Vimioso e o romance entre ambos é tema de vários fados. 
Os temas mais cantados no fado são a saudade, a nostalgia, o ciúme, as pequenas histórias do quotidiano dos bairros típicos e as lides de touros. Eram os temas permitidos pela ditadura de Salazar, que permitia também o fado trágico, de ciúme e paixão resolvidos de forma violenta, com sangue e arrependimento. Letras que falassem de problemas sociais, políticos ou quejandos eram reprimidas pela censura. 
O fado moderno teve o seu apogeu com Amália Rodrigues. Foi ela quem popularizou fados com letras de grandes poetas, como Luís de Camões, José Régio, Pedro Homem de Mello, Alexandre O’Neill, David Mourão-Ferreira, José Carlos Ary dos Santos. 
Nascido em Lisboa o fado tornou-se rapidamente numa canção nacional, que é hoje conhecido mundialmente pode ser (e é muitas vezes) acompanhado por violino, violoncelo e até por orquestra, mas não dispensa a sonoridade da guitarra portuguesa. 
No dia 27 de Novembro de 2011, a UNESCO declarou o Fado Património Imaterial da Humanidade.

Esta obra que vos é proporcionada teve a inspiração profunda na origem e história do Fado, nos poemas dos poetas que foram transportados para a arte de cantar o fado, na música dos mestres que souberam manter e elevar a composição musical única, nos Fadistas que ao longo do tempo deram voz a esta canção muito própria portuguesa e aos músicos que elevaram os sons e trinados da guitarra e viola portuguesa. 
Todas as obras são criações únicas, cuja fonte de inspiração é, tão somente, fruto das suas ideias, das suas emoções, da sua intuição e do seu estudo, cujos resultados faz repercutir na tela as cores, o traço, o sentir, a criatividade, o construir. 
As obras expressam o sublimar da arte na sua essência e no que mais genuíno tem: a alma de ser Português! 
Soube transmitir para a tela, e tela transmiti-nos essa única maneira de ser e sentir bem português: a Saudade! 
Embrenhando-nos na poesia leva-nos a sentir nos tempos a alma da poesia portuguesa. 
Na ideia e sentimento muito forte emocionalmente, como dizia Fernando Pessoa: “ é outra coisa ainda, e essa coisa é que é linda”! 

Na inauguração da Exposição de Pintura realizada a 23.03.2012 no Museu República e Resistência - espaço Grandela, patente até 11 de Abril, foi partilhado além da arte e obra da artista Carmen-Lara, a poesia, o fado, os trinados das guitarras e violas num são e agradável convívio e partilha no final da tarde primaveril. 
Os sinceros agradecimentos a todos os participantes!

Autor: A. Pires

quinta-feira, 15 de março de 2012

Menina dos olhos d´água - Pedro Barroso


Menina em teu peito sinto o Tejo
e vontades marinheiras de aproar
menina em teus lábios sinto fontes
de água doce que corre sem parar

Menina em teus olhos vejo espelhos
e em teus cabelos nuvens de encantar
e em teu corpo inteiro sinto o feno
rijo e tenro que nem sei explicar

Se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar

Aprendi nos "Esteiros" com Soeiro
aprendi na "Fanga" com Redol
tenho no rio grande o mundo inteiro
e sinto o mundo inteiro no teu colo

Aprendi a amar a madrugada
que desponta em mim quando sorris
és um rio cheio de água levada
e dás rumo à fragata que escolhi

Se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar...
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar.

terça-feira, 13 de março de 2012

Carmen-Lara - Rostos que fazem história


“Pinto arte maçónica, sim. Como em tudo o que pinto e crio, é somente a necessidade de dar forma e cor ao que sinto profundamente.”
 


O Notícias de Colmeias foi encontrar em Lisboa a pintora Carmen Lara. Nascida no Bombarral a 23 de Março de 1971, cria obras únicas que rebusca nas suas ideias, no imaginário mais profundo da vida. A sua permanente intuição é transportada para as cores das suas telas. Os temas das suas exposições são diversificados, embora a temática maçónica seja predominante. Mas, o Parque das Nações, África, símbolos e formas, Fernando Pessoa, arte erótica ou a Casa do Eléctrico de Sintra, são outras das temáticas que a artista plástico já explorou nas suas muitas exposições individuais ou colectivas....

Texto e fotografias: Joaquim Santos



quinta-feira, 8 de março de 2012

Era uma vez o Quinto...

Papéis e papelinhos 
Da arca de Pessoa
Quem pediu para os editar?

Papéis e papelinhos
Da Arca da Aliança
São o sonho telúrico
Que vai da Terra ao Mar. 


Quem será o Almirante
Quem largará as amarras,
Indo ao fim do subsolo,
Descobrindo lá o Mar?

Quem será o Almirante
Tendo as trevas como mapa
Que se irá aventurar;
Tendo uma pá de pedreiro,
Para alisar as marés
Do inconsciente inteiro
Da Humanidade sem verbo?

Quem será o Almirante,
Que irá à descoberta
Com um fósforo que acende
Um sopro de vela no escuro;
Esperando ventos amenos
Que abram no nevoeiro,
Um horizonte sem medos?
Deixem os papéis na Arca,
Deixem as estrelas dormir,
Que o sonho é o novo Reino
Que anunciará o Devir.

Quem fizer do O um S,
Quem fizer do S um oito,
Adormecendo esse oito
Navegará infinitos.

Quem terá as sete chaves
Para as sete portas abrir?

Quem cantará como galo,
Quem tocará como pêndulo 

Essa hora do Devir? 
Hora da morte de Roma,
Do nascimento do Amor,
Hora da mãe Terra acordar
Sua gravidez profunda,
Germinando semente,
Trigo vertido das águas
Rio sem margens feito mar.

Quem terá as sete chaves
Para as sete portas abrir?

Chegou a hora do verbo,
Do verbo ser Português,
Chegou a hora do quinto,
Do quinto era uma vez…


Autor: Jónatas

sexta-feira, 2 de março de 2012

1.º Aniversário da VITRIOL - 02.Mar.2012


VITRIOL, Por Carmen-Lara
Interpretação da Obra pela Autora

VITRIOL é a sigla da expressão latina "Visita Interiorem Terrae, Rectificandoque, Invenies Occultum Lapidem".
São os 4 elementos usados nas provas da iniciação, já conhecidos dos antigos:
Terra (matéria física) 

Ar (matéria psíquica)
Água (matéria sensitiva)
Fogo (matéria mental)
Filosoficamente ela quer dizer: Visita o Teu Interior, Purificando-te, Encontrarás o Teu Eu Oculto, ou, "a essência da tua alma humana".
É o símbolo universal da constante busca do homem para melhorar a si mesmo e a sociedade em geral.
É um convite à procura do Ego profundo, que nada mais é do que a própria alma humana, no silêncio e na meditação
.

Esta Obra foi oferecida pela Artista Carmen-Lara para assinalar e coroar de beleza a data e um ano de actividade da VITRIOL, acto que fui recebido com emoção e muito carinho.



Foi realizada a 3.ª Conferência do Monte da Lua, no ciclo de João Rodil (historiador), onde uma vez mais, com a sua generosidade, sabedoria e eloquência transmitiu aos presentes os seus estudos e pesquisas sobre o V Império e as profecias do Milénio.

As Conferências foram uma forma harmoniosa de são e franco convívio e proporcionaram um espaço de diálogo, de conhecimento, de saber e de pensar português e lusófono. Todos ficámos a conhecer mais e com outro olhar sobre a história de Portugal, dos pensadores portugueses, da nossa cultura e civilização.

Desde Fernando Pessoa e a carta astrológica e o número de ouro de Portugal, passando por Serra Luas e Literatura, até V Império e as profecias do Milénio, pudemos ver, sentir, saber mais sobre os vários locais e vasto património que visitámos nos Roteiros realizados.

Um abraço fraterno de agradecimento, João Rodil.





Foi presente na sessão de comemoração do Aniversário um portefólio com as principais actividades da VITRIOL até 02.03.2012.

Uma Viagem feita com as importante accções: Apresentação pública da Vitriol no Museu do Fado em Lisboa; Encontro Internacional de Lisboa sobre o tema: Cidadania e Direitos Humanos em Lisboa, Alcácer do Sal, Sintra e Tomar; Comemoração do Solstício de Verão, Quinta da Regaleira, Sintra; Palestra sobre Saúde Pública, presente, passado e futuro na Associação 25 de Abril em Lisboa; 3 Conferências e 3 Roteiros do Monte da Lua em Lisboa e Sintra; Lançamento do livro "Arte Maçónica, uma visão profana", por Carmen-Lara em Lisboa; Comemoração do Solstício de Inverno em Lisboa;
Nestas acções estiveram presentes, em média, 30 pessoas por evento.


Um brinde, Viva a VITRIOL!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Zeca Afonso: os 25 anos da morte do cantor.

A reedição de 11 discos de José Afonso e espectáculos musicais em várias cidades portuguesas e no estrangeiro contam-se entre as iniciativas a realizar, na quarta-feira, para assinalar os 25 anos da morte do cantor que ‘teve azar de nascer português’.



Lisboa, Grândola, Barreiro, Coimbra, Açores, Barcelona e Newark são alguns dos locais onde os 25 anos da morte de José Afonso são lembrados na quarta-feira, para manter «vivo o espírito do Zeca e a lição de dignidade» que transmitiu a todos, como disse à agência Lusa Francisco Fanhais, companheiro de cantigas e de estrada de José Afonso, no período antes do 25 de Abril de 1974 e actualmente dirigente da Associação José Afonso.

Considerado durante muito tempo um músico de intervenção, José Afonso é, para Francisco Fanhais e para o jornalista Viriato Teles, «muito mais do que um cantor ou um músico de intervenção».
Essa designação serve mesmo, para Francisco Fanhais, «para menosprezar toda a parte poética e musical que José Afonso revelou e é um álibi muito bom para que os divulgadores de música o possam banir com toda a tranquilidade».
«Cada uma das canções de José Afonso faz parte de um conjunto de grande valor musical e poético que, penso, está ainda por descobrir», disse Francisco Fanhais.
Também o jornalista Viriato Teles, autor do livro As voltas de um andarilho – Fragmentos da vida e obra de José Afonso, considera que José Afonso «está ao nível de um dos grandes criadores musicais do mundo».
«Ao contrário do que habitualmente fazemos, que é comprarmos os portugueses com artistas estrangeiros, eu acho que o Pete Seeger é o Zeca Afonso norte-americano», disse o jornalista, sublinhando que José Afonso «está ao nível de um Bob Dylan, John Lennon, Léo Ferré ou mesmo de um Jacques Brel». 
Considerar a obra de José Afonso apenas do ponto de vista da cantiga de intervenção «é do mais redutor que existe, até porque mesmo nesse campo ele esteve sempre à frente do tempo dele», disse Viriato Teles à Lusa, acrescentando que a obra musical de José Afonso era «tão complexa do ponto de vista poético como musical». 
«Talvez por não ter formação musical, a obra de José Afonso era bastante complexa, já que ela mudava de compasso a meio das cantigas e isso tornava tudo bastante difícil e especial», frisou. 

Viriato Teles não hesita mesmo em afirmar que José Afonso era «um génio, tal como Carlos Paredes» e que, por isso mesmo, quando José Afonso morreu «Paco Ibañez disse que Zeca teve azar de ter nascido português». 

«Se tivesse nascido nos Estados Unidos estaria ao nível desses grandes criadores mundiais», disse, na altura, Paco Ibañez, lembrou Viriato Teles. 
O jornalista invoca mesmo o facto de a obra de José Afonso ser a obra de um cantor português «mais divulgada a nível mundial». 
«Basta ver a quantidade de versões de canções do Zeca, e não apenas a de Grândola vila morena, que existem no estrangeiro», disse, exemplificando com os casos de Charlie Haden e Carla Bley, Nara Leão ou as de Pi de la Serra e Luis Pastor. «Pi de La Serra e Luis Pastor consideram mesmo que José Afonso foi o pai da nova música espanhola», sublinhou. 
«Se há de facto um músico português que se universalizou foi o Zeca, se calhar tanto ou mais do que Amália, embora esta tenha tido mais visibilidade», frisou Viriato Teles. 
Viriato Teles e Francisco Fanhais concordam ainda num outro ponto: «Apesar de reconhecido, José Afonso não tem ainda hoje o estatuto que devia ter na música». 

Para assinalar os 25 anos da morte de José Afonso, a Movieplay vai editar agora – com a etiqueta Art’Orfeumedia – versões remasterizadas, com notas adicionais aos originais, assinadas pelo jornalista Gonçalo Frota, os onze álbuns que José Afonso editou para a Orfeu, disse à Lusa fonte da editora. 
Na primeira semana de Abril sairão Cantares do andarilho e Contos velhos, novos rumos, enquanto na primeira semana de Maio sairão Traz outro amigo também, Cantigas do Maio e Eu vou ser como a toupeira. 
Em Outubro regressam Venham mais cinco, Coro dos tribunais e Com as minhas tamanquinhas e, em Abril de 2013, será a vez de Enquanto há força, Fura, fura e Fados de Coimbra. 

Entre os espetáculos que, um pouco por todo o país, assinalam o quarto de século da morte de José Afonso, destaca-se o que decorre na quarta-feira na Academia de Santo Amaro, em Lisboa. Organizado pelo núcleo de Lisboa da Associação José Afonso, o reúne, entre outros, cantores como Zeca Medeiros, Francisco Naia e Francisco Fanhais ou o duo Couple Coffee, que recria temas de José Afonso. 

Nascido a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, José Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1987, em Setúbal, aos 57 anos, vítima de esclerose lateral amiotrófica.