quinta-feira, 15 de março de 2012

Menina dos olhos d´água - Pedro Barroso


Menina em teu peito sinto o Tejo
e vontades marinheiras de aproar
menina em teus lábios sinto fontes
de água doce que corre sem parar

Menina em teus olhos vejo espelhos
e em teus cabelos nuvens de encantar
e em teu corpo inteiro sinto o feno
rijo e tenro que nem sei explicar

Se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar

Aprendi nos "Esteiros" com Soeiro
aprendi na "Fanga" com Redol
tenho no rio grande o mundo inteiro
e sinto o mundo inteiro no teu colo

Aprendi a amar a madrugada
que desponta em mim quando sorris
és um rio cheio de água levada
e dás rumo à fragata que escolhi

Se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar...
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar.

terça-feira, 13 de março de 2012

Carmen-Lara - Rostos que fazem história


“Pinto arte maçónica, sim. Como em tudo o que pinto e crio, é somente a necessidade de dar forma e cor ao que sinto profundamente.”
 


O Notícias de Colmeias foi encontrar em Lisboa a pintora Carmen Lara. Nascida no Bombarral a 23 de Março de 1971, cria obras únicas que rebusca nas suas ideias, no imaginário mais profundo da vida. A sua permanente intuição é transportada para as cores das suas telas. Os temas das suas exposições são diversificados, embora a temática maçónica seja predominante. Mas, o Parque das Nações, África, símbolos e formas, Fernando Pessoa, arte erótica ou a Casa do Eléctrico de Sintra, são outras das temáticas que a artista plástico já explorou nas suas muitas exposições individuais ou colectivas....

Texto e fotografias: Joaquim Santos



quinta-feira, 8 de março de 2012

Era uma vez o Quinto...

Papéis e papelinhos 
Da arca de Pessoa
Quem pediu para os editar?

Papéis e papelinhos
Da Arca da Aliança
São o sonho telúrico
Que vai da Terra ao Mar. 


Quem será o Almirante
Quem largará as amarras,
Indo ao fim do subsolo,
Descobrindo lá o Mar?

Quem será o Almirante
Tendo as trevas como mapa
Que se irá aventurar;
Tendo uma pá de pedreiro,
Para alisar as marés
Do inconsciente inteiro
Da Humanidade sem verbo?

Quem será o Almirante,
Que irá à descoberta
Com um fósforo que acende
Um sopro de vela no escuro;
Esperando ventos amenos
Que abram no nevoeiro,
Um horizonte sem medos?
Deixem os papéis na Arca,
Deixem as estrelas dormir,
Que o sonho é o novo Reino
Que anunciará o Devir.

Quem fizer do O um S,
Quem fizer do S um oito,
Adormecendo esse oito
Navegará infinitos.

Quem terá as sete chaves
Para as sete portas abrir?

Quem cantará como galo,
Quem tocará como pêndulo 

Essa hora do Devir? 
Hora da morte de Roma,
Do nascimento do Amor,
Hora da mãe Terra acordar
Sua gravidez profunda,
Germinando semente,
Trigo vertido das águas
Rio sem margens feito mar.

Quem terá as sete chaves
Para as sete portas abrir?

Chegou a hora do verbo,
Do verbo ser Português,
Chegou a hora do quinto,
Do quinto era uma vez…


Autor: Jónatas

sexta-feira, 2 de março de 2012

1.º Aniversário da VITRIOL - 02.Mar.2012


VITRIOL, Por Carmen-Lara
Interpretação da Obra pela Autora

VITRIOL é a sigla da expressão latina "Visita Interiorem Terrae, Rectificandoque, Invenies Occultum Lapidem".
São os 4 elementos usados nas provas da iniciação, já conhecidos dos antigos:
Terra (matéria física) 

Ar (matéria psíquica)
Água (matéria sensitiva)
Fogo (matéria mental)
Filosoficamente ela quer dizer: Visita o Teu Interior, Purificando-te, Encontrarás o Teu Eu Oculto, ou, "a essência da tua alma humana".
É o símbolo universal da constante busca do homem para melhorar a si mesmo e a sociedade em geral.
É um convite à procura do Ego profundo, que nada mais é do que a própria alma humana, no silêncio e na meditação
.

Esta Obra foi oferecida pela Artista Carmen-Lara para assinalar e coroar de beleza a data e um ano de actividade da VITRIOL, acto que fui recebido com emoção e muito carinho.



Foi realizada a 3.ª Conferência do Monte da Lua, no ciclo de João Rodil (historiador), onde uma vez mais, com a sua generosidade, sabedoria e eloquência transmitiu aos presentes os seus estudos e pesquisas sobre o V Império e as profecias do Milénio.

As Conferências foram uma forma harmoniosa de são e franco convívio e proporcionaram um espaço de diálogo, de conhecimento, de saber e de pensar português e lusófono. Todos ficámos a conhecer mais e com outro olhar sobre a história de Portugal, dos pensadores portugueses, da nossa cultura e civilização.

Desde Fernando Pessoa e a carta astrológica e o número de ouro de Portugal, passando por Serra Luas e Literatura, até V Império e as profecias do Milénio, pudemos ver, sentir, saber mais sobre os vários locais e vasto património que visitámos nos Roteiros realizados.

Um abraço fraterno de agradecimento, João Rodil.





Foi presente na sessão de comemoração do Aniversário um portefólio com as principais actividades da VITRIOL até 02.03.2012.

Uma Viagem feita com as importante accções: Apresentação pública da Vitriol no Museu do Fado em Lisboa; Encontro Internacional de Lisboa sobre o tema: Cidadania e Direitos Humanos em Lisboa, Alcácer do Sal, Sintra e Tomar; Comemoração do Solstício de Verão, Quinta da Regaleira, Sintra; Palestra sobre Saúde Pública, presente, passado e futuro na Associação 25 de Abril em Lisboa; 3 Conferências e 3 Roteiros do Monte da Lua em Lisboa e Sintra; Lançamento do livro "Arte Maçónica, uma visão profana", por Carmen-Lara em Lisboa; Comemoração do Solstício de Inverno em Lisboa;
Nestas acções estiveram presentes, em média, 30 pessoas por evento.


Um brinde, Viva a VITRIOL!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Zeca Afonso: os 25 anos da morte do cantor.

A reedição de 11 discos de José Afonso e espectáculos musicais em várias cidades portuguesas e no estrangeiro contam-se entre as iniciativas a realizar, na quarta-feira, para assinalar os 25 anos da morte do cantor que ‘teve azar de nascer português’.



Lisboa, Grândola, Barreiro, Coimbra, Açores, Barcelona e Newark são alguns dos locais onde os 25 anos da morte de José Afonso são lembrados na quarta-feira, para manter «vivo o espírito do Zeca e a lição de dignidade» que transmitiu a todos, como disse à agência Lusa Francisco Fanhais, companheiro de cantigas e de estrada de José Afonso, no período antes do 25 de Abril de 1974 e actualmente dirigente da Associação José Afonso.

Considerado durante muito tempo um músico de intervenção, José Afonso é, para Francisco Fanhais e para o jornalista Viriato Teles, «muito mais do que um cantor ou um músico de intervenção».
Essa designação serve mesmo, para Francisco Fanhais, «para menosprezar toda a parte poética e musical que José Afonso revelou e é um álibi muito bom para que os divulgadores de música o possam banir com toda a tranquilidade».
«Cada uma das canções de José Afonso faz parte de um conjunto de grande valor musical e poético que, penso, está ainda por descobrir», disse Francisco Fanhais.
Também o jornalista Viriato Teles, autor do livro As voltas de um andarilho – Fragmentos da vida e obra de José Afonso, considera que José Afonso «está ao nível de um dos grandes criadores musicais do mundo».
«Ao contrário do que habitualmente fazemos, que é comprarmos os portugueses com artistas estrangeiros, eu acho que o Pete Seeger é o Zeca Afonso norte-americano», disse o jornalista, sublinhando que José Afonso «está ao nível de um Bob Dylan, John Lennon, Léo Ferré ou mesmo de um Jacques Brel». 
Considerar a obra de José Afonso apenas do ponto de vista da cantiga de intervenção «é do mais redutor que existe, até porque mesmo nesse campo ele esteve sempre à frente do tempo dele», disse Viriato Teles à Lusa, acrescentando que a obra musical de José Afonso era «tão complexa do ponto de vista poético como musical». 
«Talvez por não ter formação musical, a obra de José Afonso era bastante complexa, já que ela mudava de compasso a meio das cantigas e isso tornava tudo bastante difícil e especial», frisou. 

Viriato Teles não hesita mesmo em afirmar que José Afonso era «um génio, tal como Carlos Paredes» e que, por isso mesmo, quando José Afonso morreu «Paco Ibañez disse que Zeca teve azar de ter nascido português». 

«Se tivesse nascido nos Estados Unidos estaria ao nível desses grandes criadores mundiais», disse, na altura, Paco Ibañez, lembrou Viriato Teles. 
O jornalista invoca mesmo o facto de a obra de José Afonso ser a obra de um cantor português «mais divulgada a nível mundial». 
«Basta ver a quantidade de versões de canções do Zeca, e não apenas a de Grândola vila morena, que existem no estrangeiro», disse, exemplificando com os casos de Charlie Haden e Carla Bley, Nara Leão ou as de Pi de la Serra e Luis Pastor. «Pi de La Serra e Luis Pastor consideram mesmo que José Afonso foi o pai da nova música espanhola», sublinhou. 
«Se há de facto um músico português que se universalizou foi o Zeca, se calhar tanto ou mais do que Amália, embora esta tenha tido mais visibilidade», frisou Viriato Teles. 
Viriato Teles e Francisco Fanhais concordam ainda num outro ponto: «Apesar de reconhecido, José Afonso não tem ainda hoje o estatuto que devia ter na música». 

Para assinalar os 25 anos da morte de José Afonso, a Movieplay vai editar agora – com a etiqueta Art’Orfeumedia – versões remasterizadas, com notas adicionais aos originais, assinadas pelo jornalista Gonçalo Frota, os onze álbuns que José Afonso editou para a Orfeu, disse à Lusa fonte da editora. 
Na primeira semana de Abril sairão Cantares do andarilho e Contos velhos, novos rumos, enquanto na primeira semana de Maio sairão Traz outro amigo também, Cantigas do Maio e Eu vou ser como a toupeira. 
Em Outubro regressam Venham mais cinco, Coro dos tribunais e Com as minhas tamanquinhas e, em Abril de 2013, será a vez de Enquanto há força, Fura, fura e Fados de Coimbra. 

Entre os espetáculos que, um pouco por todo o país, assinalam o quarto de século da morte de José Afonso, destaca-se o que decorre na quarta-feira na Academia de Santo Amaro, em Lisboa. Organizado pelo núcleo de Lisboa da Associação José Afonso, o reúne, entre outros, cantores como Zeca Medeiros, Francisco Naia e Francisco Fanhais ou o duo Couple Coffee, que recria temas de José Afonso. 

Nascido a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, José Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1987, em Setúbal, aos 57 anos, vítima de esclerose lateral amiotrófica.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A Noite dos Alquimistas

FAUSTO BORDALO DIAS  - A NOITE DOS ALQUIMISTAS



Chegam os magos no claro rasto da lua cheia 
descem duendes pelos caminhos da Cassiopeia 
gnomos e bruxos, génios e divas, tudo e ninguém 
abeiram-se os sábios, os feiticeiros que o mundo tem 
sentam-se amenas mágicas formas, sombras de alguém 

Vêm do fundo da paz da terra os sonhadores 
guardam em sonhos ocultas memórias os computadores 
pedreiros-livres, santos e artistas, tudo e ninguém 
sussurram secretas vozes profetas dos temporais 
pairam nos ventos estranhos seres como cristais 

Ó roda viva, ó astro grande de almas gentis 
fonte das musas, covil dos homens mais varonis 
a gente luta, a gente sofre, tudo e ninguém 
redime as dores, nossos amores, ódios também 
somos teus filhos, ó mar de estrelas 
cuida-nos bem.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Guimarães 2012 Capital Europeia Cultura



Filme promocional da Capital Europeia da Cultura, apresentado na sessão de apresentação da primeira versão do programa do evento em 2012.

Ao longo de pouco mais de três minutos é aberto o livro sobre aquilo que a Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura vai mostrar aos vimaranenses e aos milhares de visitantes que são esperados na Cidade Berço.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

AL K ON ... AL K OFF


AL K ON  
Um fado gangster, vadio,
Que vai ao bolso das pessoas;
Um fado troika, desumano e sem escrúpulos,
Um fado que não chora e sem saudade,
Um fado murado como a Palestina,
Um fado que a todos nós se destina,
Um fado de capos,
Ao serviço sabe-se lá de quem;
Um fado daqui e d’além mar,
Um fado traição,
Um fado corrupto e de corrompidos,
Um fado de rei vai nu,
Um fado destinado a morrer
Porque o povo adormecido acordará,
Um fado em que o Povo vencerá!
 AL K OFF
 
Autor: Herculano

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sintra em Ruínas


Mostra n.º1. 30 de Janeiro de 2012
O projecto Sintra em Ruínas é uma iniciativa cívica de Filipe de Fíuza, poeta e engenheiro civil natural de Sintra. O objectivo principal do projecto é dar relevo social através da Internet a todo o património sintrense em mau estado de conservação procurando ao mesmo tempo registar, organizar, mapear e propor informalmente algumas medidas de recuperação desse património.