quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A Noite dos Alquimistas

FAUSTO BORDALO DIAS  - A NOITE DOS ALQUIMISTAS



Chegam os magos no claro rasto da lua cheia 
descem duendes pelos caminhos da Cassiopeia 
gnomos e bruxos, génios e divas, tudo e ninguém 
abeiram-se os sábios, os feiticeiros que o mundo tem 
sentam-se amenas mágicas formas, sombras de alguém 

Vêm do fundo da paz da terra os sonhadores 
guardam em sonhos ocultas memórias os computadores 
pedreiros-livres, santos e artistas, tudo e ninguém 
sussurram secretas vozes profetas dos temporais 
pairam nos ventos estranhos seres como cristais 

Ó roda viva, ó astro grande de almas gentis 
fonte das musas, covil dos homens mais varonis 
a gente luta, a gente sofre, tudo e ninguém 
redime as dores, nossos amores, ódios também 
somos teus filhos, ó mar de estrelas 
cuida-nos bem.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Guimarães 2012 Capital Europeia Cultura



Filme promocional da Capital Europeia da Cultura, apresentado na sessão de apresentação da primeira versão do programa do evento em 2012.

Ao longo de pouco mais de três minutos é aberto o livro sobre aquilo que a Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura vai mostrar aos vimaranenses e aos milhares de visitantes que são esperados na Cidade Berço.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

AL K ON ... AL K OFF


AL K ON  
Um fado gangster, vadio,
Que vai ao bolso das pessoas;
Um fado troika, desumano e sem escrúpulos,
Um fado que não chora e sem saudade,
Um fado murado como a Palestina,
Um fado que a todos nós se destina,
Um fado de capos,
Ao serviço sabe-se lá de quem;
Um fado daqui e d’além mar,
Um fado traição,
Um fado corrupto e de corrompidos,
Um fado de rei vai nu,
Um fado destinado a morrer
Porque o povo adormecido acordará,
Um fado em que o Povo vencerá!
 AL K OFF
 
Autor: Herculano

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sintra em Ruínas


Mostra n.º1. 30 de Janeiro de 2012
O projecto Sintra em Ruínas é uma iniciativa cívica de Filipe de Fíuza, poeta e engenheiro civil natural de Sintra. O objectivo principal do projecto é dar relevo social através da Internet a todo o património sintrense em mau estado de conservação procurando ao mesmo tempo registar, organizar, mapear e propor informalmente algumas medidas de recuperação desse património.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Serra, Luas e Literatura


Gil Vicente é o poeta que melhor e mais fielmente cantou o mito e a tradição da alma portuguesa. E nesta envolvente criação de um destino místico do povo luso, a Serra do Sol e da Lua volta a representar um papel preponderante. Na Farsa da Lusitânia, representada a D. João III, por altura do nascimento do príncipe D. Manuel, em 1532, surge um Licenciado que se declara embaixador do autor, e que relata a iniciação que este sofreu por uma donzela que o levou "onde a Sibila mora", a qual lhe ensinou a origem de Portugal: 

"Naquela cova Sibiliária, muito sábio e prudentíssimo Senhor, o autor foi ensinado que há três mil anos que uma generosa ninfa chamada Lisibeia, filha de uma rainha da Berbéria, e de um Príncipe marinho que a esta Lisibeia os fados deram por morada naquelas medonhas barrocas que estão da parte do Sol, ao pé da serra de Sintra, que naquele tempo se chamava Solércia. E como por vezes o Sol passasse polo opósito da lustrante Lisibeia, e a visse nua, sem nenhuma cobertura, tão perfeita em suas corporais proporções, como fermosa em todolos lugares de sua gentileza, houve dela uma filha tão ornada de sua luz, que lhe puseram nome Lusitânia, que foi diesa e senhora desta província. Neste mesmo tempo, havia na Grécia um famoso cavaleiro e mui namordo em extremo, e grandíssimo caçador, que se chamava Portugal, o qual, estando em Hungria, ouviu dizer das diversas e famosas caças da serra Solércia, e veio-a-buscar. E como este Porugal, todo fundado em amores, visse a fermosura sobrenatural de Lusitânia, filha do Sol, improviso se achou perdido por ela." 

Eis a combinação dos Elementos a formularem a origem de um povo, simultaneamente aquático, telúrico e ígneo. Hão-de ser sempre os Elementos a regerem a razão dos homens, a sua própria existência.

Autor: João Rodil, livro "Serra, Luas e Literatura", Edições da Palavra

domingo, 15 de janeiro de 2012

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Morte do Poeta



E-Pistola do Poeta enquanto Peixe

Flirt impossível. Carta em correio azul. Correspondência sem correspondente. Um peixe perdido no mar de um olhar, um olhar romance; histórias que não aconteceram. Como peixe apenas queria uma morada, um mar visível na invisibilidade visível de ficar, um habitáculo para poetas. Os poetas também eles são invisíveis, só existem antes da escrita; depois morrem e renascem, tal Fénix renascida nas palavras. Um peixe dentro de um olhar era o que estava falando, vê o que o olhar vê, sente o que o olhar sente e está, é não poeta por que o peixe não escreve: nada. Nada é negação absoluta, tudo é possível enquanto poeta, mesmo um flirt impossível. O mundo existe enquanto o poeta-peixe nada, naquele olhar-mar amante do Mundo, pelo qual o poeta enquanto peixe vê, sente, ouve, respira e não poderá sobreviver enquanto peixe sem aquele mar-mundo de amar o mundo da sua existência. Se o tiram, se o negam, a sua existência perde duas das suas qualidades: a de poeta e a de peixe; torna-se invisível como as guerras, os ciganos, os negros, os desempregados e os ofícios correlativos, na existência da humanidade.
Ser um peixe-flirt e nadar sem horizontes de praia. Praia-mar impossível de criar, há falta de Deus. Ofício de Deus não é coisa de poetas, as epístolas sim.
Por isso a morte do peixe.
Por isso a morte do poeta.

Ai Senhora que fazer?
Se sou peixe, sou poeta
E nado no vosso olhar,
Se recordo o vosso sonho,
Se sonho no seu sonhar,
Se respiro seu respirar,
Ai senhora que fazer?
Ao acordar deste sonho
Como peixe vou morrer,
Por não ter onde nadar;
Como poeta morrer morro,
Por não ter com que sonhar,
Ai Senhora que fazer?

Autor: Herculano

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Fernão de Magalhães



Chegar ao fim 
Era o princípio, 
Por tal morreu 
Ante novo ciclo… 

Cumpriu-se o sonho, 
Cumpriu-se a prova; 
Redonda sempre seria 
A sua nova. 

De Magalhães 
Fernão era 
Redondo círculo… 
O seu fim, 
Nunca seria 
O seu princípio… 

Fernão, incorporara no mar, 
Um país de sonhos feito, 
Para apenas um Estreito 
O relembrar.

Autor: Jónatas

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Solstício de Inverno



É sabido que as primeiras civilizações estratificadas, da Idade dos Metais, surgiram na Ásia Menor (sumérios, milénio VI a.C.) e no norte de África (egípcios, milénio V a.C.). A Suméria ocupava o sul da Mesopotâmia - "terra entre rios"- entre os rios Tigre e Eufrates, junto ao Golfo Pérsico. Hoje, já se sabe que a escrita foi invenção dos sumérios (cuneiforme), além disso, os antigos sumérios criaram quase tudo: administração e justiça; formas políticas de governo; instrumentos de troca e de produção; formas de pensamento religioso; técnicas de construção.

A religião foi, na realidade, a base e o centro da vida da Mesopotâmia, sendo, toda ela, originária da concepção religiosa da Suméria, que remonta à era neolítica e que influenciou todos os povos antigos, cuja religião era baseada em divindades cósmicas, principalmente no deus Sol. Assim, na religião suméria, os três deuses fundamentais: Anu, rei do Céu, Enlil, rei da Terra, e Ea, deus do Oceano; esses deuses primordiais criaram os deuses astrais, que se ocupam directamente do homem: Chamach, deus-Sol, Sin (deus-Lua, masculino) Ishtar, a deusa Vénus (relativa ao planeta) e Dumuzi, deus agrário das mortes e ressurreições anuais dos vegetais, de acordo com o ciclo do Sol. Foi dos sumérios, o primeiro culto solar da Humanidade na História, embora já possa ter havido algum, na era neolítica da Pré-História. Como grandes matemáticos, adquiriram grande conhecimento sobre a astronomia, prevendo eclipses solares e lunares, aprendendo a plantar de acordo com as fases da Lua, dividindo o ano em 12 meses lunares, os meses em semanas, a semana em sete dias (cada um consagrado a um dos sete "planetas" da Antiguidade), o dia em vinte e quatro horas, a hora em sessenta minutos e o minuto em sessenta segundos. Quando elaboraram o seu sistema cosmológico, fizeram uso das doze constelações principais, através das quais o Sol e a Lua passavam, regularmente, e que foram as precursoras do zodíaco.

No Antigo Egipto, embora, houvesse variados conceitos do deus-Sol, tendo, o astro diversas representações (Ámon, Rá, Hórus), era um certo desvio para o monoteísmo, o deus do império unificado e o senhor do céu e dos deuses. Havia somente um deus egípcio cuja importância era semelhante à do deus-Sol: Osíris, deus da fertilidade e do reino dos mortos, cuja lenda, baseada nos mitos solares - segundo a lenda, foi morto no 17º dia do mês Hator, quando começava o Inverno - tinha grande aceitação entre o povo, preocupado com o além, pois mostrava os mistérios da morte e da ressurreição. Já no terceiro milénio a.C., os egípcios elaboraram um calendário solar, que era o mais perfeito da Antiguidade, permitindo-lhes, inclusive, prever as cheias do rio Nilo. O rio era a fonte de toda a vida e os egípcios acreditavam que as cheias eram activadas pela acção combinada do Sol e de Sirius, tendo esta estrela, assumido grande importância. As pirâmides, construídas durante a III Dinastia do Antigo Egipto, tinham dupla finalidade: monumentos funerários e calculadores astrológicos. Ao faraó Ramsés II, um dos maiores do Novo Egipto, é atribuída a responsabilidade pelo estabelecimento dos quatro signos cardeais do Zodíaco: Carneiro, Balança, Caranguejo e Capricórnio.

À Europa, a civilização chegou depois. Basta dizer que, na época do surgimento dos monumentos megalíticos, ou seja, dois milénios a.C., a região era primitiva, sendo habitada por um povo - chamado, pelos arqueólogos, de povo beaker - que ainda estava no início da Idade dos Metais e que ainda não tinha meios de registar o seu conhecimento. Nessa época, o Egipto já iniciava o seu Médio Império e, na Grécia arcaica, já começara a civilização micénica. E seria exactamente na Grécia que a astronomia e a astrologia teriam grande impulso, deixando o empirismo anterior.

Ao povo beaker, muito anterior aos druidas, atribuem-se os menires (monumentos megalíticos) europeus e, principalmente, o famoso conjunto de Stonehenge. Mesmo primitivo, desenvolveram um sofisticado método de calcular um calendário de precisão surpreendente, anunciando eclipses e assinalando solstícios, dos quais os menires são provas irrefutáveis. As imensas pedras de Stonehenge, com cinco toneladas cada uma, foram extraídas dos montes de Gales, e transportadas até á planície de Salisbury, a 380 quilómetros de distância. Constituído de diversos blocos, formando semicírculos e fechado por um anel de pedras, com distâncias regulares entre elas, o monumento foi submetido, a análises computorizadas, que revelaram uma grande variação de alinhamentos, mostrando que ele é, na realidade, um grande computador astrológico.

No entanto, 2000 anos antes de Stonehenge foi erigido o recinto megalítico dos Almendres, Évora, Alentejo, sendo o maior monumento megalítico da Península Ibérica e um dos mais antigos monumentos da Humanidade.
Foi construído há cerca de 7000 anos, nos alvores do Neolítico, a época em que surgiram, na Europa ocidental, as primeiras comunidades de pastores e agricultores, no contexto de profundas transformações culturais.

O recinto dos Almendres cuja planta original era, muito provavelmente, em forma de ferradura, aberta a nascente, parece ter sofrido acrescentos e remodelações: a forma actual do monumento, relativamente complexa, resulta, por um lado, dessas intervenções antigas e, por outro, de amputações e perturbações muito recentes. Actualmente, conta com cerca de uma centena de monólitos, alguns deles decorados.
A escolha dos lugares em que estes monumentos foram erigidos, teve seguramente em conta a estrutura física da paisagem, nomeadamente a rede hidrográfica, mas também os fenómenos astronómicos mais notórios, relacionados com os movimentos anuais do Sol e da Lua, no horizonte.

Os celtas vieram depois do povo beaker. Os druidas eram membros de um culto sacerdotal entre os antigos celtas, na Inglaterra, França e Irlanda, cujos sacerdotes adoravam vários deuses semelhantes aos do panteão greco-romano, mas com nome diferentes, reunindo-se nas florestas, ou em cavernas. Na verdade, pouco se conhece sobre os rituais dos druidas, o que tem gerado muita especulação, sem nenhuma comprovação. Eles consideravam o meio-dia e a meia-noite como horas sagradas, o que não era novidade, assim como algumas árvores, como o carvalho. E, geralmente faziam predições através da interpretação do vôo dos pássaros e de sinais encontrados nas vísceras de animais sacrificados; e podem ter usado Stonehenge como lugar de culto. Foram destruídos, na Inglaterra no ano 78 da era actual pelos romanos. Na Irlanda sobreviveram até ao século V, quando foram expulsos com a expansão do cristianismo.
Importa considerar que os rituais solares, inclusive os solstícios, eram muito mais antigos do que os druidas. Considerando que pouco se conhece sobre os rituais druidas, que eram secretos e transmitidos oralmente, a interpretação de seu pensamento fica no terreno especulativo, ou da imaginação de muitos autores.

Este simbolismo cósmico tradicional foi herdado dos povos mesopotâmicos, cujos saberes acumulados parecem ter atingido o expoente máximo na antiguidade. Tradição mais tarde veiculada pelos egípcios, que por sua vez a transmitiram aos gregos. Dizia Platão no seu Timeu: ”O dia e a noite, ao desvendarem os meses, as revoluções dos anos, os equinócios e os solstícios, formaram pela sua combinação o número, e deram-nos a noção do tempo e o meio para especular sobre a natureza do universo. Daí, nós retirámos um tipo de filosofia que é o maior bem que nos chegou e que jamais virá a nós pela liberalidade dos deuses”. Segundo Platão, o Conhecimento não se adquire por outro meio que não seja pela Iniciação. A busca do Conhecimento é caminho árduo e não uma benesse dos deuses.

Aproxima-se mais um Solstício de Inverno, em que viveremos a noite mais longa do ano, no nosso hemisfério, como que num recolhimento uterino desejado.

O Sol afastou-se do hemisfério norte. O Inverno é a época para semear.
Os frutos da colheita anterior já se encontram recolhidos.
É o momento para seleccionar os melhores frutos, obter as suas sementes e voltar a semear, porque há frutos que se estragaram, apodreceram ou não se desenvolveram. Há que eliminar estes e guardar os melhores.

Há mais frio e mais escassez de tudo.
Os membros da tribo reúnem-se à volta da fogueira onde há luz e calor. O fogo é a representação do Sol que se ausentou.
Juntos apoiam-se e compartilham do que têm. O momento transforma-se então, em celebração e cerimónia.
É a noite da solidariedade, do amor e da esperança!

Que este Solstício nos traga de volta à comunhão com as coisas do Universo e com o Universo das coisas da Natureza…

Que as luzes dos centros comerciais e outros holofotes não sejam demasiado ofuscantes e nos permitam, ainda, uma certa dose de humanidade e de reconciliação dos afectos…
Que a esperança se faça verbo, imagem e certeza….

Estamos convosco, desejando-Vos um Solstício de Luz e saudando o RENASCIMENTO de todos Nós.

A. Pires