quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Forte de Elvas saqueado



Em anteriores artigos, falamos de monumentos e património, que conservado mantém-se como legado para as gerações futuras, proporcionando excelentes condições para a visita, hoje, infelizmente, vamos falar de património que está ao abandono e a saque, falamos do Forte de Elvas.

O Forte da Graça foi mandado construir por D. José I, no monte onde se encontrava a antiga capela de Nossa Senhora da Graça. O monte da Graça é um dos pontos mais altos da região, constituindo portanto um local de grande importância estratégica. Durante o cerco de Elvas, no contexto da Guerra da Restauração, o exército espanhol tomou o local e nele instalou uma posição de artilharia, a partir da qual atacou severamente a cidade. A situação repetiu-se durante a Guerra dos Sete Anos, quando Elvas foi novamente sitiada. Finalmente, em 1763, D. José I determinou a construção de uma fortaleza que permitisse completar o circuito defensivo da cidade. Do seu planeamento foi encarregado o Conde de Lippe, que viera de Inglaterra no ano anterior, para dirigir a defesa do reino.
A ermida de Santa Maria da Graça foi destruída, tendo a imagem da Virgem transitado para a capela do forte, donde veio a desaparecer mais tarde com as invasões francesas. A obra foi muito exigente para a região, tendo nela trabalhado 3 a 4 mil homens, entre 1763 e 1792. O forte ficou de imediato conhecido como Forte de Lippe, e mais tarde, por ordem de D. Maria I, por Forte de Nossa Senhora da Graça. A edificação resistiu ao ataque das tropas espanholas durante a Guerra das Laranjas, e ao bombardeamento infligido pelas tropas francesas no contexto da Guerra Peninsular. O forte é uma obra-prima da arquitectura militar europeia do século XVIII, tanto pela originalidade das soluções aí apresentadas, como pela sua monumentalidade.

O reduto propriamente dito é uma torre de planta octogonal, com pisos abobadados, constando de capela no piso térreo e Casa do Governador nos pisos nobres. Por baixo da capela existe uma notável cisterna. O reduto é defendido por três ordens de baterias com canhoneiras.
Mais tarde, também teve fama quando foi transformado em prisão militar. Uma vez que o forte não tinha fornecimento de água, era necessário um suprimento constante do precioso líquido, os voluntários, depois de abastecidos na fonte do marechal, com os barris às costas e sob o calor alentejano, cantavam alegremente:
“Maldito Forte da Graça / escola de deserdados / cemitério de homens vivos / debaixo do chão enterrados”

Sem segurança, o Forte da Graça tem sido alvo de uma vaga de furtos: ladrões levam blocos de granito, varandas e até telhas. A UNESCO já tinha sinalizado o «risco de vandalismo». A Câmara e o Governo tardam em aprovar o plano para proteger este Património Mundial, declarado em Junho do ano passado.
A Câmara, que conduziu o processo de candidatura à UNESCO, diz: ter conhecimento da situação mas alega que nada pode fazer para travar esta onda de pilhagem porque o complexo é propriedade do Ministério da Defesa. Que o Governo não tem feito nada para alterar o estado de «abandono» em que o Forte se encontra desde 2006, quando o Exército retirou o contingente de militares que vigiavam esta unidade 24 horas por dia.
Depois da candidatura, foi feita uma proposta ao Ministério da Defesa e das Finanças, recorda o autarca, que estimava o investimento necessário para restaurar e «tornar visitável» a fortaleza.
Até hoje, não houve qualquer resposta, lamenta o edil, que diz temer as consequências deste impasse: A responsabilidade é muito grande. Daqui por um ano, com a visita dos peritos, a UNESCO pode retirar a candidatura. Aliás, durante o processo de avaliação, a UNESCO alertou o Governo para a delicada situação daquele monumento: «Está isolado, inutilizado e vulnerável a vandalismo», lê-se na decisão final do Comité.

O Exército tem conhecimento do que se está a passar, mas diz estar de ‘mãos atadas’. O Quartel de Elvas, que geria o Forte, foi extinto e nessa altura os militares foram transferidos, o que significa que deixaram de ter necessidade de manter um efectivo permanente na fortaleza, acrescentando que o edifício foi entregue aos ministérios da Defesa e das Finanças. Questionado, o Ministério da Defesa não esclareceu o que pretende fazer com este edifício que, desde 2008, faz parte de uma lista de prédios militares entregues ao Governo para venda.

Não é uma decisão unilateral. Todas estas entidades, sobretudo a Câmara, que gere o bem classificado, e a Defesa, dona do Forte, têm de se entender sobre um modelo de gestão e financiamento favorável para todos, que, por ser património classificado e da esfera pública, esta fortaleza não pode ser vendida.

É conhecida como «obra-prima da arquitectura militar», mas está a desaparecer aos poucos. O Forte da Graça, em Elvas, tem sido alvo nos últimos meses de uma vaga de furtos e vandalismo e enquanto o destino não é traçado, a ruína e destruição alastram no monumento. Até quando! O género humano tem destas coisas, ganância, ignorância, jogos de poder, que todos os dias condenam edifícios inocentes a uma morte lenta e com eles sucumbe a nossa história, património e identidade... PORQUÊ?

O património cultural português agradece e justifica uma acção em memória do passado e da história de Portugal. 

 
Autor: A. Pires

1 comentário:

  1. Tenho acompanhado o este espaço e quero manifestar os meus parabens, não só pela divulgação do nosso património mas também pela excelente qualidade do Blog.
    Bem Haja
    Vitor Cordeiro
    Lisboa

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