segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sintra em Ruínas


Mostra n.º1. 30 de Janeiro de 2012
O projecto Sintra em Ruínas é uma iniciativa cívica de Filipe de Fíuza, poeta e engenheiro civil natural de Sintra. O objectivo principal do projecto é dar relevo social através da Internet a todo o património sintrense em mau estado de conservação procurando ao mesmo tempo registar, organizar, mapear e propor informalmente algumas medidas de recuperação desse património.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Serra, Luas e Literatura


Gil Vicente é o poeta que melhor e mais fielmente cantou o mito e a tradição da alma portuguesa. E nesta envolvente criação de um destino místico do povo luso, a Serra do Sol e da Lua volta a representar um papel preponderante. Na Farsa da Lusitânia, representada a D. João III, por altura do nascimento do príncipe D. Manuel, em 1532, surge um Licenciado que se declara embaixador do autor, e que relata a iniciação que este sofreu por uma donzela que o levou "onde a Sibila mora", a qual lhe ensinou a origem de Portugal: 

"Naquela cova Sibiliária, muito sábio e prudentíssimo Senhor, o autor foi ensinado que há três mil anos que uma generosa ninfa chamada Lisibeia, filha de uma rainha da Berbéria, e de um Príncipe marinho que a esta Lisibeia os fados deram por morada naquelas medonhas barrocas que estão da parte do Sol, ao pé da serra de Sintra, que naquele tempo se chamava Solércia. E como por vezes o Sol passasse polo opósito da lustrante Lisibeia, e a visse nua, sem nenhuma cobertura, tão perfeita em suas corporais proporções, como fermosa em todolos lugares de sua gentileza, houve dela uma filha tão ornada de sua luz, que lhe puseram nome Lusitânia, que foi diesa e senhora desta província. Neste mesmo tempo, havia na Grécia um famoso cavaleiro e mui namordo em extremo, e grandíssimo caçador, que se chamava Portugal, o qual, estando em Hungria, ouviu dizer das diversas e famosas caças da serra Solércia, e veio-a-buscar. E como este Porugal, todo fundado em amores, visse a fermosura sobrenatural de Lusitânia, filha do Sol, improviso se achou perdido por ela." 

Eis a combinação dos Elementos a formularem a origem de um povo, simultaneamente aquático, telúrico e ígneo. Hão-de ser sempre os Elementos a regerem a razão dos homens, a sua própria existência.

Autor: João Rodil, livro "Serra, Luas e Literatura", Edições da Palavra

domingo, 15 de janeiro de 2012

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Morte do Poeta



E-Pistola do Poeta enquanto Peixe

Flirt impossível. Carta em correio azul. Correspondência sem correspondente. Um peixe perdido no mar de um olhar, um olhar romance; histórias que não aconteceram. Como peixe apenas queria uma morada, um mar visível na invisibilidade visível de ficar, um habitáculo para poetas. Os poetas também eles são invisíveis, só existem antes da escrita; depois morrem e renascem, tal Fénix renascida nas palavras. Um peixe dentro de um olhar era o que estava falando, vê o que o olhar vê, sente o que o olhar sente e está, é não poeta por que o peixe não escreve: nada. Nada é negação absoluta, tudo é possível enquanto poeta, mesmo um flirt impossível. O mundo existe enquanto o poeta-peixe nada, naquele olhar-mar amante do Mundo, pelo qual o poeta enquanto peixe vê, sente, ouve, respira e não poderá sobreviver enquanto peixe sem aquele mar-mundo de amar o mundo da sua existência. Se o tiram, se o negam, a sua existência perde duas das suas qualidades: a de poeta e a de peixe; torna-se invisível como as guerras, os ciganos, os negros, os desempregados e os ofícios correlativos, na existência da humanidade.
Ser um peixe-flirt e nadar sem horizontes de praia. Praia-mar impossível de criar, há falta de Deus. Ofício de Deus não é coisa de poetas, as epístolas sim.
Por isso a morte do peixe.
Por isso a morte do poeta.

Ai Senhora que fazer?
Se sou peixe, sou poeta
E nado no vosso olhar,
Se recordo o vosso sonho,
Se sonho no seu sonhar,
Se respiro seu respirar,
Ai senhora que fazer?
Ao acordar deste sonho
Como peixe vou morrer,
Por não ter onde nadar;
Como poeta morrer morro,
Por não ter com que sonhar,
Ai Senhora que fazer?

Autor: Herculano