quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Um povo...Um mito!


Gabriel Pereira de Castro (1571-1632), deificou Portugal e o seu povo, ao apresentar Lisboa como a cidade fundada por Ulisses no seu longo poema épico intitulado "Ulisseia ou Lisboa Edificada", onde são enaltecidos vários aspectos das tradições históricas de Portugal, conferindo assim maior glória à cidade de Lisboa perante o mundo e por ter sido a partir dela que se alargaram os mares pondo fim ao Velho Mundo.
O poema foi publicado por seu irmão Luís Pereira de Castro em 1636.

Canto I
As Armas e o Varão que os mal seguros
Campos cortou do Egeu e do Oceano,
que por perigos e trabalhos duros
eternizou seu nome soberano:
A grã Lisboa e seus primeiros muros
(De Europa e largo Império Lusitano
Auta Cabeça), se eu pudesse tanto
Pátria, o Mundo, à Eternidade canto.

Lembra-me Musa as cousas e me inspira,
como por tantos mares o prudente
Grego, vencendo de Neptuno a ira,
chegou no Tejo à túmida corrente;
ouvirá o som da lusitana lira,
o negro ocaso e lúcido oriente
se tu dás ser a meu sujeito falto,
para que caiba em mim furor tão alto.



Fernando Pessoa no seu poema "Ulisses" - Mensagem, escrito entre 1913 e 1934 mostra como o futuro glorioso de Portugal poderá concretizar-se através da vivência do mito e da energia criadora que ele liberta.

Ulisses

O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo –
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar nas realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.



Estes dois poetas, de épocas diferentes, colocaram o povo português como descendentes de deuses, Ulisses tem no sulcar dos mares mais do um sucessor e em Ulisseia constituiu-se uma comunidade de Homens capazes que se reconhecem no mito fundador e que ostentam a marca de descobridores até aos confins dos mares.
O mar, esse deixou de ser apenas um mar sem fim e tenebroso, mas sim, um Novo Mundo em que os homens espalhados pelo horizonte inteiro passaram a estar ligados pelo oceano.
Ulisses, se bem que não tenha existido foi elevado à condição de mito, essa figura lendária foi suficiente para que o povo português se sentisse projectado para a grandeza que tem e que poderá ainda ter, onde o que verdadeiramente importa não é a existência real dele, mas aquilo que ele pode representar.
Assim, o mito, este ou outro, vem dos confins do tempo e como uma força obscura, penetra na nossa realidade presente, infiltra-se como um sinal divino nas nossas vidas, que desligada essa força mágica, ficamos reduzidos a menos que nada, “metade de nada” como escreveu Fernando Pessoa, condenados fatalmente a nada.


Autor: O. Florência

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Pontífices da Fraternidade


Intróito

Entre o sete e o oito
Enquanto os rios seguem os caminhos da serpente,
Os homens criam ritos, mitos
Que se entrelaçam brilhando
Com a Estrela d’Alva em cima e S. João em baixo,
Com a sua ovelha ao colo.
Ousemos nós ser pastores de rebanhos
Nas colinas dos seus montes,
Com eles subir aos castelos e passar as suas pontes;
Entre duas cidades com rios
E homens de bons costumes.

Línguas diferentes e usos diferentes,
Mas com o mesmo Sol, a mesma Lua,
O mesmo Delta Luminoso;
As mesmas pedras polidas: cantos de canteiro,
Correndo, dançando, cantando,
Serpenteando colinas, castelos e pontes
De pedra e ferro feitas,
Por mãos de pedreiro,
Pontífices da Fraternidade.

Ousemos nós ser
Mais que o caminho,
Homens palmilhando o seu destino
E que mais não houvesse que o sonho
Esse bastava,
Para criar nós de amor.

O oito
Duas cidades, dois rios
Vão de Ketter a Malkut,
Duas coroas e dois reinos
Ligam a Terra aos Céus.

Rios serpenteando colinas e castelos,
Caminhos da serpente.
Que criam ritos e mitos
No imaginário humano,
Que entrelaçam infinitos
Na árvore que esta vida é:
Vera árvore da vida,
Forjada de ferro e de aço
E de pedra trabalhada,
Com cinzel e com o maço,
Os homens constroem pontes
Que passam os impossíveis
E criam laços em nós,
Amarras de corações
Que vão para lá de nós.

Duas cidades, dois rios
E homens de bons costumes;
Ousem eles ser pastores de rebanhos
Nas colinas dos seus montes
E com eles subir aos castelos
E passar as suas pontes.

Naveguem barcos, navios,
Levem-nos a novos rumos,
La Loire e o Tejo
Daqui e d’além,
Um passa por Tours
Outro por Santarém.

Lisboa essa cidade
Onde passam sete rios,
Sendo o Tejo o oitavo.
Porto de Templários,
Onde um anjo caído
Lucífer a luz trouxe,
Que outra coisa não fosse
Fez-nos sonhar ser deuses.

Em Lisboa, cidade templo de infinitos,
Quando o Oito adormece,
Os Templários renascem…

Autor: Jónatas

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Os segredos templários que Tomar desvenda - V


Densos mistérios
Saindo de Tomar, é obrigatório ver, ainda nas imediações da cidade, o monumental aqueduto de Pegões. Era por aqui que o convento se abastecia de água. O facto de atravessar vales acentuados confere ao monumento um carácter impressionante, em alguns pontos dos seus sete quilómetros de extensão. No vale de Pegões, a parte mais comovente do percurso, o aqueduto desenha uma curva, num pórtico com 58 arcos de volta inteira e 16 arcos quebrados. Uma obra a pedir reabilitação, de modo a que se possa passear pelo aqueduto.
Mais longe, espera-nos a torre templária de Dornes, a uma meia hora da cidade. Uma vez mais, estamos perante um monumento único. E, também aqui, fechado a visitas, neste caso pelo mau estado da escada de acesso. Uma pequena obra e uma bilheteira permitiriam dar outra visibilidade a esta construção, transformada no tempo de Dom Manuel em torre sineira da igreja matriz, situada ao lado.
A igreja terá sido fundada pela Rainha Santa Isabel e nela se pode ver uma assombrosa Pietá em pedra, do século XVI. Os 42 círios de Dornes, representando outras tantas povoações vizinhas, estão guardados na sacristia: saem em procissão desde segunda-feira de Páscoa até ao terceiro domingo de Setembro. Já houve alturas em que a rivalidade entre aldeias foi pretexto para ameaças de tiroteio. Construída sobranceira à albufeira, numa das curvas do Zêzere, o edifício é de planta pentagonal e teria servido como torre-atalaia dos templários. O mistério adensa-se pela serenidade conferida ao lugar pela confluência do rio, da torre, dos montes e vales em redor.


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Os segredos templários que Tomar desvenda - IV



Um tríptico escondido
Voltemos aos segredos que Tomar esconde. Por exemplo, o tríptico de origem flamenga, do século XVI, que está no baptistério da igreja de São João Baptista, logo à esquerda quando se entra. Tem que se pedir ao sacristão da igreja que faça o favor de abrir a porta do baptistério. Só assim se pode apreciar a obra - não haverá maneira de proteger o quadro sem ter que o esconder? Representando cenas da vida de Jesus - o baptismo no centro, as bodas de Caná e as tentações, além de São João e Santo André nas portas -, a obra é de uma delicadeza ímpar.
Há nesta igreja ainda outras sete telas a justificar a visita. São todas de Gregório Lopes, um dos nomes mais destacados do Renascimento português. Do lado direito, estão A Degolação de João Baptista, a Apresentação da Cabeça de João Baptista, Abraão e Melquisedeque, a Apanha do Maná, a Última Ceia e a Missa de S. Gregório. Na parede defronte, vemos uma Visitação. Gregório Lopes tem obra distribuída por Setúbal, Madeira e Tomar (há pinturas suas também no Convento de Cristo). Em Tomar, além de podermos pousar o olhar de cada vez que passamos junto do Nabão, ainda é possível dar um salto à ermida de Santa Iria. Destaca-se aqui um retábulo em calcário representando a paixão de Cristo, com a curiosidade de a cruz ser em T, ou Tau, representação iconográfica invulgar. Ou à igreja de Santa Maria dos Olivais, onde os templários eram armados cavaleiros.
Subindo de novo para as bandas do castelo e do Convento de Cristo, encontramos a ermida da Senhora da Conceição. Há quem diga que foi construída para capela funerária de D. João III. Álvaro Barbosa diz que isso não é verdade: "Não tem dimensão para ser mausoléu", assegura, foi mesmo edificada como espaço de culto.

In: http://fugas.publico.pt/Viagens/288451_os-segredos-dos-templarios-que-tomar-desvenda?pagina=-1